Archive for the ‘Educacional’ Category

Diferenças entre Pedais e Pedaleiras

Explicação sobre Som Analógico e Digital

Como aproveitar ao máximo suas aulas de música!

aulanando

aula de guitarra

Quer ser um músico de alto nível? Antes de qualquer coisa, entenda:

1 – Técnica ninguém têm, adquire.

2 – Vocabulário ninguém têm, adquire.

3 – Experiência ninguém têm, adquire.

4 – Criatividade uns têm com mais espontaneidade outros com menos, porém todos precisam desenvolvê-la!

Junte os 4 itens e sua conclusão será: É um aprendizado. Sempre. Ninguém nasce pronto! No Brasil, temos a infeliz ideia disseminada de que música é ”dom” e quem toca bem simplesmente toca bem. Errado! Isso não existe! Música se estuda sim, música se aprende! É uma linguagem, uma atividade altamente técnica! Essa valorização do “cara que toca de ouvido, nunca foi na escola!” que temos por aqui, acaba sendo uma das mais nefastas diferenças entre nós e nossos colegas de outras partes do mundo, onde ninguém tem vergonha de dizer que estudou e que aprendeu o que sabe. Aqui é muitas vezes o contrário, a pessoa estuda e tem vergonha de dizer que toca bem, mas que estudou, como se isso fosse demérito! Imagina um engenheiro fazendo isso? Um médico? Um advogado tendo vergonha de dizer que estou “pra caramba”? Pois é, por que com os músicos deve ser diferente? Não é! Isso é um problema brasileiro e eu nem tenho ideia de onde veio ou como começou. Não caia nessa cilada. Vamos acabar com essa imbecilidade.

5 - Não tenha vergonha de dizer que não sabe! Todo mundo não soube um dia. Quem pergunta é ignorante uma vez, quem não pergunta fica ignorante pra sempre.

Especialmente na sua AULA. Seu professor está ali exatamente pra isso. Não perca tempo tentando impressionar seus professores mostrando o que você sabe. Deixe isso para os palcos. Na aula o foco é o que você não sabe ou sabe, mas não domina. Quer impressionar seu professor? Chegue detonando na próxima aula o que ele te passou pra estudar durante a semana! Você vai deixar o cara feliz, impressionado e vai ter levado o que está pagando, ou seja, novos conhecimentos e/ou aprimoramento.

6 – Saber e não dominar é quase a mesma coisa que não saber. O que conta é o que você domina.

7 – A explicação gera conhecimento (agora você sabe) e o treino subsequente leva ao domínio!

8 – Domínio vem de treino e treino é trabalho sério, longo, duro e cansativo. Quanto mais transpiração melhor. Lembre-se do lema das academias: No pain no gain (Sem dor sem ganho). Técnica de alto nível no instrumento segue o mesmo princípio. Sem choro nem atalho.

Quem realmente possui técnica de alto nível e diz que praticou/ estudou pouco está mentindo. Simples assim. Marketing pessoal vagabundo. Quis te impressionar e você, inocente, disse: “Uau! Imagina se tivesse treinado! O cara é muito talentoso mesmo!”.

Não seja bobo. Ok?

9 – Respeite seus limites no sentido de conhecer sua rotina, seus compromissos e se adequar a eles. Cada um avança numa velocidade, cada um têm seu timming. O importante é avançar sempre, não necessariamente avançar rápido. Estabeleça metas realistas e seu professor é a melhor pessoa pra te ajudar nessa tarefa. A meta é sempre empurrar os limites para mais longe. Música é uma escalada que dura a vida toda, ao final você descobre o quão alto chegou.

10 – Respeite e confie no seu professor, e principalmente, não seja preguiçoso e teimoso. Se ele disser “Toque dessa forma” não diga em resposta: “Mas não pode ser assim?…”. Se pudesse ele não teria dito nada. Simples, não?

Grande abraço e bom treino, bons estudos!

Nando Moraes

Porque um músico deve estudar ÁUDIO

Quais são as características de uma boa performance musical?

Pode-se dizer que sejam, basicamente, estas:

Afinação correta, ritmo e interpretação (criatividade, pegada, dinâmica) corretos.

             Mas isto basta?

Para tocar bem é provável que sim. Entretanto, como o som, resultado da sua performance, está chegando aos ouvidos de seu público?

A partir desta pergunta chave deve-se verificar que resta ainda uma coisa:

O som certo.

            Essa constatação nos leva a pensar para além do que estudamos em nossas aulas de música. Leva-nos a pensar no som propriamente dito. Pensamos em coisas como: Como meu som deve ser captado para que possa ser amplificado? Que tipo de amplificação seria a ideal para o meu tipo de instrumento? Meu timbre é um bom timbre? Que elementos definem um bom timbre para o instrumento que toco? Como conseguir este timbre? E muitas, muitas outras dúvidas que surgem a partir daquela pergunta chave.

            Assim começamos a pensar em áudio! Pois notamos que o músico ao tocar seu instrumento torna-se uma fonte geradora de som e este som deve chegar até os ouvidos da audiência.

Temos aí nosso esquema básico que entenderemos de forma geral como “áudio”. Veja no gráfico abaixo.

            É comum pensarmos que conhecimentos de áudio são necessários apenas na “etapa do meio” (de acordo com o esquema acima), ou seja, ao gravar um disco. E ainda, que é o técnico do estúdio quem deve saber tudo e ao músico ficaria reservado apenas “tocar”. Errado! Conceitos e conhecimentos de áudio são necessários em todas as etapas descritas acima. Na etapa inicial, temos algumas tarefas tais como “timbrar” bem seu instrumento, ajustar corretamente seus efeitos, etc. Tudo isto requer conhecimento de áudio, pois é áudio. E estas são tarefas do músico!

A maneira como o músico ajusta o timbre de seu instrumento e equipamentos pessoais para a performance é o primeiro estágio do áudio.

             É comum observar diferentes músicos ou mesmo diferentes bandas tocando repertório similar, com competência praticamente igual em relação à técnica. Porém, uma banda “soa” melhor que a outra, um músico “soa” melhor que outro. E como ambos tocam bem, ficamos sem saber exatamente o que os diferencia. A resposta, na maioria das vezes, é apenas a qualidade com que o som que eles estão produzindo chega aos nossos ouvidos. Qualidade do som: áudio. E isso se aplica tanto aos timbres dos instrumentos quanto ao som geral da banda.

            Músicos que tocam instrumentos elétricos, como guitarristas, por exemplo, já são obrigados a lidar com pelo menos um equipamento de áudio em seu dia a dia: o amplificador. No entanto, dificilmente um guitarrista fica apenas com sua guitarra ligada a um amplificador. Assim, caso ele se utilize de pedais para alterar o timbre original da guitarra, terá que lidar ainda com mais alguns equipamentos de áudio. Então para não ficar girando botões aleatoriamente, algum conhecimento de áudio será muito bem vindo!

            Observe abaixo imagens dos controles de dois pedais de efeitos bem comuns. Note, se você já tem conhecimento de teoria musical, que nenhum dos termos, gráficos ou unidades de medida aparecem em nosso estudo convencional de música e teoria musical. No entanto, você terá que usá-los!

             E não apenas os instrumentos elétricos. Os músicos que tocam instrumentos acústicos, como violino, violão e mesmo cantores, quando tem a necessidade de amplificar de alguma forma seu som, estarão entrando na área do áudio. Isso para não mencionar o momento de realizar um trabalho de gravação em um estúdio (que é certamente o lugar onde o assunto áudio é dominante e mais evidente).

            Conclusão. Evidencia-se que equipamentos e conceitos de áudio estão presentes de forma decisiva na vida dos músicos. Assim, possuir conhecimento nesta área torna-se não apenas um facilitador nas tarefas mais elementares, mas ainda um diferencial que pode ser decisivo.

            Considere ainda o surgimento de novas tecnologias, especialmente as proporcionadas pela era digital, que não apenas mudaram radicalmente a forma como fazemos música, como representam inúmeras possibilidades criativas, antes inimaginadas! Você não vai querer ficar de fora.

A Linguagem da Improvisação

Olá amigos!

Desta vez vou postar um texto de um grande guitarrista norte americano que também é muito ativo no meio didádito, Les Wise.

Há alguns anos tomei emprestado de meu professor à época, Aquiles Faneco, um livro de improvisação chamado Bebop Licks for guitar, de autoria do referido guitarrista Les Wise, que não teve lançamento no mercado nacional. Claro que o livro é muito bom no seu conteúdo como um compendio de licks, porém o que mais me chamou a atenção foi o prefacio do livro, um excelente texto sobre a linguagem da improvisação.

Eu sempre usei com meus alunos justamente essa abordagem que Les Wise utilizou, o que diga-se não é novidade, porém nunca havida tomado a iniciativa de coloca-la no papel, e acabei nem precisando! Tratei de trazir o texto na hora e tenho desde então passado a meus alunos sempre que estamos iniciando o aprendizado de improvisação. Agora compartilho com vocês esta tradução, que com certeza os ajudará a compreender melhor os caminhos desta maravilhosa arte me especial, a improvisação musical, e mesmo a própria linguagem musical como um todo. Boa leitura!

 

A LINGUAGEM DA IMPROVISAÇÃO

Les Wise

 Improvisação musical. Vamos definir o que isto não é. Não é a habilidade dada por Deus de inventar melodias do nada. Não vem de um raio que cai, capacitando alguém a ser um monstruoso solista. Não é um dom divino que apenas uns poucos de nós possuem porque somos especiais. O quê, então, é improvisação?

É reorganização espontânea. Pense por um momento no que estas duas palavras significam – “o rearranjo de alguma coisa que já existe”. A improvisação é aprendida de forma muita parecida com a maneira com que uma linguagem é aprendida porque improvisação musical é uma linguagem. Todos nós temos a habilidade para aprender a linguagem da improvisação; é simplesmente uma questão de direcionamento apropriado.

Vamos examinar o que uma linguagem é. Quando nós falamos, nós não inventamos instantaneamente as palavras que fluem de nossa boca. Elas já existem. Igualmente, quando solamos nós usamos padrões e idéias que já existem na linguagem da música.

Em média um formando do ensino médio deve saber aproximadamente 15000 palavras. No entanto dois indivíduos podem expressar idéias completamente distintas, pensamentos e opiniões usando o mesmo conjunto de palavras. Como isso se dá? Simplesmente rearranjando estas palavras em diferentes ordens. Se nós todos trabalhamos dentro do mesmo vocabulário estrutural básico, então é a ordem em que nós reorganizamos as palavras que dá à nossa personalidade uma singularidade que nós chamamos de nossa.

Quando nós falamos, nós geralmente o fazemos intuitivamente, e parece ser um processo automático. No entanto, se nós olharmos pra trás e analisarmos o desenvolvimento do nosso vocabulário, veremos que não é. O processo de aprender a solar é muito parecido. Deixe-me apontar algumas similaridades.

O desenvolvimento da fala, até entrarmos na escola, foi por imitação. Nossos pais falavam uma palavra ou frase, e simplesmente a repetíamos. Da mesma maneira, antes mesmo de termos um professor de música ou saber qualquer coisa sobre música, nós simplesmente imitávamos sons. Nós podemos ter ouvido uma melodia da televisão ou um comercial de rádio e tentamos imitar aquela melodia em nosso instrumento.

Na primeira série nós aprendemos uma palavra. Nós não apenas aprendemos como pronunciar aquela palavra, mas como cada letra separadamente simboliza os sons que formam aquela palavra. Nós aprendemos a soletrar a palavra e como escrevê-la na lousa. Para fins futuros e mais complicados, nós tivemos que aprender o significado da palavra e como usa-la em uma frase. O paralelo traçado com nosso instrumento é bastante obvio.  Em nossas aulas de música nós começamos a aprender sobre alguns acordes, escalas e arpejos. Nós aprendemos sobre com quais notas eles são formados, como eles soam e onde eles são usados. Nosso teste, como músicos, foi tocar perante um público – nossos pais ou amigos. Nosso teste na escola foi ler para a classe uma história escrita por nós na qual usamos as novas palavras aprendidas.

Com o começo do ensino médio, mais adições aumentaram nosso entendimento de nossa língua. Tenho certeza de que todos nós devemos nos lembrar da diagramação das frases – agora tudo aquilo não parece um monte de coisas engraçadas? Todo o tipo de linhas e setas que apontavam para todas as direções nas palavras e sob as palavras e em cima das palavras. Completamente confusos nós pensamos com nós mesmos, “então isto representa o discurso intuitivo de um ser humano se comunicando com outro? Como pode algo tão elaborado e sistematizado ser parte da simples comunicação do dia-a-dia?” No entanto conforme aprendemos sobre nossa língua, a fórmula se torna mais e mais clara, e durante o processo educacional nós pegamos palavra após palavra. Uma de cada vez elas foram adicionadas – algumas de Português, algumas de Matemática, algumas de História e algumas de Ciências. Assim nosso vocabulário cresceu tremendamente e normalmente sem muito esforço.

Agora imagine o horror se em seu primeiro dia na escola, o professor começasse pegando livros enormes e dissesse: “Aqui está um livro contendo as 15000 palavras que você precisa saber até terminar o terceiro colegial.” Você iria querer ir pra casa na hora. Porém felizmente isto não aconteceu dessa maneira, ao invés disso, nós aprendemos nossa língua um dia de cada vez. Nossa comunicação verbal foi um processo natural, crescente e intuitivo.

Como foi adicionada palavra após palavra, o processo se tornou tão tranqüilo que agora nós dificilmente poderíamos nos lembrar quando e onde aprendemos uma palavra específica. Pegue a palavra “alumínio”, por exemplo. Quando você aprendeu esta palavra? Foi na terceira série? Quinta série? Há muita chance de você não se lembrar. Como você vai pela vida adquirindo novas palavras, você não se preocupa com elas, se amarra nelas, ou as pendura no seu pescoço e constrói sua vida inteira ao redor delas. Elas gentilmente se arrastam para dentro de seu vocabulário, e você começa a usá-las intuitivamente e automaticamente.

Vamos imaginar um uso não tão automático da comunicação. Suponha que você foi para a Rússia e foi subitamente abordado por um russo na rua. As cinco palavras em russo que você memorizou no vôo até lá terão que ser suficientes para que você se comunique. Agora você não acha que sua fala vai soar programada e mecânica? Ou será expressiva, intuitiva ou automática? Estas cinco palavras em russo serão usadas e abusadas, confundidas e completamente exauridas em um minuto. Isso sem mencionar o enorme esforço que você fará na tentativa de falar estas palavras em alguma ordem coerente. No entanto, se você soubesse 15000 palavras em russo, você simplesmente relaxaria e se comunicaria. Este processo de como arranjar estas palavras não mais soaria pensado, programado, mas completamente automático, ou – improvisado.

Nós construímos nosso vocabulário em nossos instrumentos praticamente da mesma forma que nós construímos nosso vocabulário em nossa língua. Nós lentamente e gradualmente adicionamos novos licks. Alguns nós lemos, alguns nos aprendemos de discos, alguns copiamos de amigos. Nós usamos o que já existe – nós copiamos e imitamos. Você pode perguntar, “Mas como eu posso ser original e ter meu próprio estilo se eu imito outros?”. Bem, deixe me perguntar pra você, “Você rejeitou as primeiras palavras de seu pai e sua mãe porque você inventou sua própria linguagem?” Claro que não. Você não vai discordar do fato de que o objeto que leva comida até sua boca se chama colher. Nossa personalidade distinta é expressa pela ordem em que arranjamos as palavras que são comuns a todos nós. Na música, nos podemos tocar algo que soa completamente novo e único. Mas na realidade foi uma combinação de idéias que nós já conhecemos. Pode ser uma seqüência de quatro notas que aprendemos três anos atrás combinada com parte de um lick que tiramos de um disco semana passada. Nós tocamos esta idéia e acreditamos que estamos diante de algo completamente novo, e de certa forma estamos. É uma reorganização daquilo que já existia.

 

Vamos olhar para outra forma de como o vocabulário se expande. Você nunca se sentou com um grupo de amigos quando alguém usa uma palavra que chama sua atenção? Você não sabe o significado exato daquela palavra, mas você sabe que já ouviu ela em algum lugar antes, e agora pela natureza da frase que seu amigo usou você compreende instantaneamente o que ela significa. Dentro deste exato momento você pode ter percebido que gostou da palavra, fez uma nota mental dela, depois a colocou completamente fora de sua mente. No dia seguinte você estava conversando com um amigo e – “zap” – a mesma palavra veio.

Desde que você esteja praticando sempre a linguagem da improvisação musical, o mesmo processo acontecerá. Você entrará no palco, sem saber o que exatamente irá tocar, e as idéias fluirão. Você se lembrará de um lick que você ouviu de um pianista semana passada e se encontrará tocando ele. Você terá aprendido desenhos, padrões e combinações de idéias suficientes para tocar este mesmo lick que estava guardado em seu subconsciente. Ou você pode pegar algumas poucas notas deste mesmo lick e combina-las com outro lick que você aprendeu de um saxofonista cinco anos atrás. As idéias musicais já existem, mas a maneira como você rearranja estas idéias expressará seu próprio estilo e personalidade – da mesma maneira que quando você fala.

 

A sua personalidade única é a ordem em que você agrupa todas estas idéias.

 

Improvisação musical é uma linguagem, da mesma maneira que inglês, espanhol, português e alemão. Tem que ser aprendida. É claro que pode e eventualmente vai soar natural e “improvisada”, mas primeiro tem que ser aprendida da mesma maneira sistematizada com que aprendemos nossa própria língua ou da mesma maneira sistematizada com que aprenderíamos qualquer nova língua – uma palavra de cada vez. Isto soa livre e fácil, mas é alcançado através de uma vida inteira. Um novo lick ou idéia de cada vez – do que ele foi feito, onde usa-lo e o que ele diz ou expressa. Para incrementar nossa habilidade de comunicação em nosso instrumento nós incrementamos nosso vocabulário. Para incrementar nosso vocabulário nós aprendemos novos licks. Nós tocamos estes licks repetidamente até que eles se tornem hábitos – até que nossos dedos os toquem independente de nossa mente consciente – até que possamos tocá-los até dormindo, com ou sem nossos instrumentos. Repetição. De onde nós vamos tirar estes licks? Copie discos, copie amigos, copie os discos de seus amigos. De transcrições, de outros instrumentos – uma nova palavra ou frase de cada vez. Então outra e mais outra. Este é o processo através do qual nós aprendemos e expandimos a linguagem da improvisação.

 

 

The Language of Improvisation

Prefácio do livro “Bebop Licks for guitar” de Les Wise.

Tradução de Nando Moraes

Varie seu repertório e surpreenda-se!

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Todo músico tem um ponto forte referente a determinado aspecto, digamos técnico, da música. Alguns são ótimos com a parte rítmica, outros podem ter um enorme facilidade em criar harmonias enquanto outros se saem melhor ao elaborar melodias. Outros podem ter maior facilidade motora (técnica) enquanto outros precisam de mais esforço pra executar passagens mais complexas. E por ai segue.

Se considerarmos que cada gênero musical tem um aspecto predominante que o caracteriza (podemos chamar de clichê) logo cada músico encontrará mais facilidade para tocar composições do gênero em que predomina o aspecto no qual ele possui maior facilidade. Exemplo: alguém que descobre possuir facilidade com os raciocínios e habilidades envolvidas em improvisação, vai se sair bem com estilos que fazem muito uso desta técnica tais como blues, jazz/ fusion, etc. Outro exemplo seria um musico com forte em situações rítmicas, este teria facilidade em trabalhar com músicas com ênfase nos grooves como Black music norte americana ou música latina ou africana.

Além disso, todo músico é também um ouvinte de música, e como tal, possui seu estilo preferido. Isso certamente traz alguma influência para suas habilidades, ou seja, se você ouve muito samba, por exemplo, provavelmente vai ter facilidade para tocar esse estilo, uma vez que já conhece bem como deve soar um samba.

Mas não necessariamente será assim! Continuando com o exemplo do samba, apesar de sua paixão pelo ritmo e de saber muito bem como este deve soar, pode ser que você sinta alguma dificuldade com algum aspecto desse estilo, seja com a harmonia ou justamente com o balanço (swing) que é justamente um aspecto muito marcante deste gênero.

Ouvir é uma coisa, tocar é outra…

Portanto, segundo o que expliquei acima, você pode vir a descobrir que o estilo que você mais tem facilidade pra tocar não é necessariamente o estilo que você mais gosta de ouvir ou vice versa!

Claro que se você optar por ser músico profissional, os anos de estudo e prática resolverão a maioria dos problemas e seu samba vai começar a sair do jeito que deve, porém o ponto do qual quero tratar aqui é justamente esse: Cada música (gênero) contribui com algo em nossa formação e vocabulário musical por ser mais exigente em determinado aspecto ou mesmo em determinadas técnicas do instrumento!

Assim se você acha que por que já detonou tudo no seu estilo preferido já terminou o trabalho, experimente tocar algo de um gênero completamente diferente e veja o resultado. Você pode vir a se surpreender com o quanto vai “apanhar” para conseguir tocá-lo decentemente. Logo você que se achava o máximo…

Assim disse o músico e professor Mozart Mello em entrevista para a revista Cover Guitarra, em 2003 (usando como referencia a guitarra, instrumento com o qual ele trabalha): “(…) Aqueles chorus maravilhosos em Giant Steps não o credenciam a tocar o estudo nº 1 de Villa Lobos com palheta; Aquelas escalas tocadas em two-hands não o credenciam a tocar um simples blues (…). Está mais do que na hora dos músicos entenderem isso e se respeitarem mais.”

Falou e disse! Os estilos se somam! Cada qual contribuindo com algo diferente. Assim chego bem onde eu quero com este texto: Uma ótima maneira de estar sempre evoluindo em seu instrumento é simplesmente variar o repertorio! Esqueça seus preconceitos sobre fácil ou difícil, barulhento ou monótono, antigo ou de vanguarda, etc. brasileiro ou não, etc. Tudo isso só serve para nos mantermos em nossa zona de conforto e consequentemente estagnados.

Além do mais tem algo curioso que você pode vir a descobrir: Que adora tocar certas músicas que não te chamam tanto a atenção ao ouvir. Cito como exemplo eu mesmo, que adoro tocar Bossa Nova, estilo que dificilmente coloco em meu player quando quero simplesmente ouvir música. Dificilmente ouço e não me considero fã do estilo, porém quando rola algum trabalho com este tipo de música simplesmente adoro! Não costumo ouvir, mas adoro tocar.

Na época que descobri o quanto eu gostava de tocar aquela levada e aquelas harmonias eu estava no auge da “pancadaria” com meu gosto musical, ouvindo heavy, thrash e até death metal! Não foi por ouvir o que eu ouvia que deixei de curtir tocar esse “novo” estilo, tampouco por descobrir este novo som com suas maravilhosas possibilidades deixei de continuar ouvindo (e tocando!) o que eu já tocava. Deve ser sempre uma soma!

Ai vem outro ponto. Existe uma verdadeira legião de músicos que simplesmente não descobrem isso, perdendo oportunidades que nem fazem ideia de passar ótimos momentos ou mesmo ampliar suas oportunidades de trabalho pelo simples fato de se fecharem em seu desenvolvimento num único estilo: o de sua preferência. Seja por preconceito descabido ou preguiça mesmo (a tal zona de conforto)!

Naturalmente, se você atua como artista que compõe e grava suas próprias músicas você obviamente têm um determinado estilo, e isso não precisa (e creio que nem deve) mudar. Mas a dica vai pra você também! Não se espante, adquirir novo vocabulário ouvindo, estudando e tocando outras coisas vai apenas enriquecer seu trabalho e pode vir a ser um diferencial muito bem vindo, um som mais personalizado, mesmo sem deixar de estar tocando o estilo que sempre tocou. Ou seja, vale o bom senso, não estou dizendo pra você montar um repertório pra tocar ao vivo contendo Iron Maiden, Tião Carreiro, Tom Jobim, Miles Davis e Mozart tudo na sequencia. Óbvio que não! Você pode ser eclético, não seu show, ou sua banda. Isso seria falta de foco, de direcionamento e outros problemas mais.  Se seu show é de rock, que seja rock, o que digo é que na hora de COMPOR o SEU rock, você terá muita coisa à sua disposição na SUA bagagem cultural e técnica e a soma disso tudo transformada em rock poderá ser algo novo, realmente seu. E assim com os demais estilos, naturalmente.

Então fica a mensagem: Varie seu repertório e surpreenda-se com os resultados! Você descobrirá novas técnicas, ritmos, harmonias, timbres, formas, dinâmicas, linguagens e culturas além de ampliar seu gosto e abrir novas portas para trabalho. Você descobrirá o seu melhor e ainda terá a oportunidade de derrubar barreiras!

Pra mim sempre funcionou! O que acha?

Nando Moraes

Quanto tempo devo estudar?

Olá amigos, está aí uma pergunta das boas! Quantas vezes já ouvi alunos perguntarem sobre as lendárias 8h ou até 12h por dia de estudos apregoadas por diversos guitar heros em entrevistas, workshops, etc.

Ou mesmo, ao contrário, há aqueles que tocam tão bem que nos dão a impressão de serem adeptos das maratonas de estudos citadas acima, mas, no entanto, dizem não fazer lá muito esforço para tocarem tudo o que tocam.

Em meio a estes dois extremos como se posicionar? Qual a forma ideal de manter os estudos para evoluir no instrumento e nos conhecimentos musicais?

Creio que vale a pena observar se existem mitos sobre estas posturas.

A respeito de quem diz estudar (ou tocar) tantas horas por dia há quem diga que é balela. Conheço inclusive uma citação atribuída ao um dos maiores violonistas eruditos do século XX, Andrés Segóvia, que teria dito algo mais ou menos assim: “Quem diz que toca 12 horas por dia ou é mentiroso ou é louco”.

Bem, pessoalmente não creio que André Segóvia tenha dito algo assim, pois é fato conhecido que para alcançar a perfeição técnica exigida pela música erudita, e ainda no nível a que ele chegou para ser destaque mundial, são necessários muitos esforços que certamente em algum momento da vida dele se traduziram em longas jornadas de ensaios e exercícios. Ou seja, valendo-me de minha própria experiência no assunto e conhecendo de perto tantos outros exemplos posso lhes afirmar: há sim quem pratique de 6h ou mais por dia o seu instrumento. Não é mito e ponto final.

Exagero? Idiotice? Certamente não. Basta comparar com as demais atividades e percebemos que se dedicar com afinco, empregando várias horas do dia para atingir excelência no que se propôs, ou simplesmente, dedicar-se a uma atividade na qual encontra prazer e satisfação pessoal, isso está longe de ser algo criticável ou não desejável!

Vejamos: quem não conhece algum garoto (às vezes nem tão garoto assim) que passa, não raro, mais tempo que isso jogando vídeo game praticamente todos os dias? Assistindo televisão? Quantas horas por semana muitas pessoas não dedicam a chats via MSN e afins, sem ter necessidade nenhuma disso, apenas por lazer ou hábito? Isso quanto à parte recreativa de nossas vidas, e quanto à profissional? Quantas horas um adolescente dedica por dia, somadas as horas em que está no colégio ou cursinho ao tempo que está estudando e fazendo lições em casa durante os anos que precedem o famigerado vestibular? E durante a faculdade? Quantas horas o futuro profissional dispensa entre aulas, estudos, trabalhos e pesquisas ao longo do dia durante anos?

Outra referência importante: uma jornada de trabalho normal consiste de 8 (longas) horas diárias e frequentemente as pessoas excedem esse tempo.

Pois é, as 6, 8, 12 (ou até mais em alguns casos) horas dispensadas em uma única atividade não representam nenhuma novidade ou caso estranho em nosso cotidiano. Por que encanar justamente com o músico profissional ou amador? “Que maluco! Fica o dia inteiro com essa guitarra na mão! Sai dar uma volta! Que isso!”. Alguém imagina uma mãe falando isso para o filho em época de vestibular? É mais fácil ocorrer o contrário: “O que você está fazendo que não está estudando!? Já pegar o livro!”. E por ai vai…

Ser um profissional em qualquer atividade demanda anos de esforço e muitas horas de trabalho. E com música não é diferente. Simples assim. Além do mais quando se está fazendo algo pelo qual se é apaixonado, não se vê as horas passando. A atividade musical facilmente encontra estas duas coisas acontecendo simultaneamente, uma benção para nós músicos, mas que infelizmente muitas pessoas não experimentam em suas atividades.

E o caso de superinstrumentistas afirmarem não se esforçarem muito. Será verdade? Aí entra outra história que atende pelo nome de marketing pessoal. Quero dizer com isso que quando um artista se lança na mídia e vai de encontro ao público ele cria e passa a trabalhar uma imagem, um personagem que pode mesmo não ser lá muito parecido com o que, de fato, aquele músico é como pessoa no seu dia-a-dia pessoal. Portanto pode haver diferença entre o que estas pessoas dizem em entrevistas (momento no qual estão encarnando seus “personagens”) e o que verdadeiramente se passou ou se passa em relação a vários assuntos, entre eles naturalmente a sua preparação técnica, sua formação.

Vejamos uns casos. No meio erudito pega bem dizer que estuda muito, aliás, erudição sem muito estudo é algo difícil de conciliar, uma coisa leva a outra. O músico estudou muito mesmo e toda vez que perguntarem sobre sua formação é exatamente o que ele vai dizer. Neste caso, o personagem do artista vai de encontro a realidade, portanto ao há necessidade de inventar ou omitir coisas. Já no meio popular, no qual tudo se foca muito na figura do showman, as coisas podem mudar de figura a cada contexto em que está inserida a carreira do músico.

Assim, quando questionado sobre sua formação e seus esquemas de estudo tanto pode ser interessante para ele falar sobre seus longos anos de estudos e os nomes dos grandes mestres que ele teve quanto, ao contrário, alardear uma fama de autodidata ou mesmo de sujeito-que-nasceu-para-ser-estrela. A melhor opção para se apresentar ao público depende das regras do show business! Para qual faixa etária ele se dirige? Qual a imagem tradicionalmente apresentada pelos artistas consagrados do ritmo que ele toca (rock, funk, jazz, MPB, etc.)?

Para cada contexto de carreira, optar por explorar uma imagem de super estudioso ou de “nasci pronto” pode ser decisivo para cativar ainda mais a admiração de seu público. Não precisa ser necessariamente a verdade.

Sim, isso existe. Dizer que aquele trecho dificílimo da música não te deu trabalho pra executar pode ser uma enorme mentira, mas quem pode provar o contrário? E que impressiona, claro que impressiona. E postura pesa muito no meio pop.

Há uma cena didática sobre esta postura no filme “Rock Star”, de 2001, que conta a história de um simples rapaz que tem a oportunidade de substituir o vocalista original (um excelente vocalista, conhecido pela capacidade de alcançar notas muito altas) de uma banda mundialmente famosa da qual ele é fã, e da qual possui uma banda cover.  Durante uma entrevista coletiva, após conseguir o posto de cantor do grupo, ao responder a pergunta sobre como conseguia manter a voz em tão boa forma o rapaz responde naturalmente a verdade dizendo que a sua professora do coral lhe passava uns bons exercícios. Neste exato momento, o líder do grupo que estava sentado ao seu lado o interrompe “corrigindo” a resposta: “É porque ele faz muito sexo…”. Assim, aprendida a lição, o novato cantor reafirma: “É, é porque eu faço muito sexo”.

No exemplo acima, o cantor certamente tinha talento, claro, mas devia ao menos boa parte de seu desempenho a treino e estudos, porém segundo o que percebemos na cena, para aquele personagem que ele deveria passar a encarnar a partir dali, isso não era o mais interessante de se dizer. Pega melhor trabalhar uma imagem radical, rebelde e um estilo de vida agressivo, não uma imagem de “CDF”.

Sim, meus amigos, isso existe e o exemplo poderia ser totalmente o contrário mudando o estilo e o contexto. Ainda daria pra citar mais alguns exemplos da vida real mesmo, mas não vou me estender ainda mais.

Embora existam muitas pessoas talentosas que conseguem extrair melhores ou mais rápidos resultados de suas horas de estudo, ninguém verdadeiramente “detona” em seu instrumento sem passar um tempinho considerável com ele nas mãos.

O que devemos fazer então? Primeiro não da pra esperar uma “receita de bolo”, ou seja, não da para falar em um número exato de horas que é o ideal estudar/praticar por dia e passar isso para todos, pois as horas estudadas rendem de maneira muito diversa de uma pessoa para outra.

A solução então é ter como referência a suficiência do tempo de estudo em relação ao que você se propôs como objetivo (que vai depender tanto do repertório que você deseja aprender a tocar quanto do tempo que você coloca como meta conseguir tocá-lo). Estou praticando 3 horas por dia, está ok? Pode ser que sim, pode ser que não. Avalie se está sendo suficiente pra você evoluir em direção ao objetivo traçado num ritmo que lhe satisfaça. Se não estiver é melhor se programar pra aumentar a carga, se estiver com sobra, você pode até pegar mais leve, a menos que esteja curtindo. Busque naturalidade, porém não se acomode.

Apenas respeite seus limites! Não se frustre ou se sature. Para isso basta ter bom senso ao estipular seus objetivos.

Por fim, sabendo que não existem fórmulas milagrosas nem tampouco atalhos, a conclusão é que cada um analise o seu próprio caso sem se deixar levar por histórias que nem dá pra saber até que ponto condizem com a realidade. Qual tua referência, onde você pretende chegar? Sua relação com a música é amadora ou profissional? Qual sua realidade de tempo disponível em relação a suas reais obrigações do dia-a-dia? Analise tudo isso, tenha bom senso e veja o que seria adequado para você, estude a situação com seu professor e monte um programa de referência. Lembre-se que não é tanto a quantidade de horas utilizadas que vão dizer se está bom para você, a pergunta deve ser: Está suficiente? No mínimo.

Bons estudos!

Nando Moraes

 

Vai comprar sua primeira bateria??

Em regra, o iniciante não sabe nada, não conhece nada, não tem a menor referência do mercado. Apenas sente o coração batendo pedindo para sentar logo num banquinho com os tambores na frente e poder descarregar aquela vontade de acompanhar uma música, de soltar o verbo nos acordes musicais ou simplesmente batucar sem parâmetros, para além dos limites provisórios.

Atualmente são tantas as opções de marcas, configurações etc., que o iniciante fica vendidinho, sem saber que bateria comprar para atender aos seus anseios. Nada mais natural, pois é um verdadeiro oceano de oportunidades – o mercado cresceu muito nos últimos anos.

Didaticamente falando, é melhor que o principiante comece numa bateria para iniciante, pois necessariamente terá que adquirir uma boa pegada para fazer um bom som e quando tocar numa boa bateria vai fazer aquele som…

Da mesma forma, o ideal é um kit pequeno, que exigirá dele mais criatividade para reproduzir suas variações. Assim, quando ele deparar com um kit grande não terá dificuldades. Ao contrário, vai ter um universo muito maior para não cair na mesmice das viradas e levadas.

Obviamente, tudo vai depender do que você quer com a música e da sua disponibilidade financeira. O importante é você saber que a falta de dinheiro não inviabiliza o seu sonho de ser baterista. A dificuldade de se tocar num instrumento ruim ou ultrapassado é revertida em seu benefício num futuro não muito longe, pois quem aprende a tocar num instrumento assim, aprende de verdade – e toca em qualquer instrumento ou em qualquer situação.

O mercado de bateria é honesto, com raras exceções. O preço de uma batera varia de acordo com suas características. A madeira, os aros, a quantidade de tambores e ferragens, o acabamento, a forma de fabricação, a borda, enfim, tudo vai influenciar no preço final. O que é importante sublinhar é que nos dias de hoje as baterias brasileiras estão muito boas, sem necessidade de se recorrer às grandes marcas estrangeiras para se fazer um bom som. A grande vantagem da bateria nacional é que o fabricante fica aqui, e se você precisar de peça de reposição vai ter mais facilidade pra conseguir. O mesmo vale se você quiser ampliar o seu set.

Não se deixe levar pelo gosto dos outros. Se você conhece algum baterista e quer um kit igual ao dele, vai entrar numa furada. Bateria é uma coisa muito pessoal. Tudo vai depender do som que você quer levar, ou seja, do seu gosto musical e do seu estilo pessoal de tocar e ouvir a música – e gosto é gosto – não se discute. Cada um tem um ouvido…é como gravata – muito pessoal. Por isso existem baterias para iniciantes. São baterias feitas com medidas-padrão – que caem bem nos mais diversos estilos musicais atendendo a gregos e troianos. Tambores profundos caem bem num rock, mas os rasos, em geral, são mais definidos e se enquadram melhor na atmosfera do jazz, da bossa – e por aí vai. Até o ângulo da borda dos tambores influencia no som. Portanto, comece preferencialmente com medidas padronizadas.

Particularmente, se eu fosse começar a tocar bateria agora, compraria uma de nível “intermediário”, pois dependendo da batera, atende as expectativas profissionais no caso da coisa dar certo – e não precisaria trocar de kit tão cedo. Digo mais: compraria uma bateria usada, pois o preço cai bem e eu poderia adquirir um instrumento melhor, pelo mesmo custo de uma nova inferior. Bateria não é como um carro, que necessariamente envelhece com o uso. Um instrumento de qualidade antigo e bem cuidado, em tese, será melhor que o novo – pois a madeira fica curada com o tempo. Ela resseca internamente e se torna mais densa – proporcionando um sustain superior.

Por outro lado, uma bateria cuja madeira ficou exposta no tempo, ou sob umidade contínua num determinado ambiente, prejudica o casco do seu tambor. Então parceiro, muito cuidado se for comprar uma batera usada. De preferência, esteja com um baterista mais experiente de forma que ele não lhe deixe levar gato por lebre. O mercado de usadas é perigoso – existem muitos oportunistas que confundem os iniciantes. Nos classificados da web encontramos Pearl Export sendo vendidas pelo preço de MasterWorks. Entretanto, casos assim ainda são esporádicos e não chegam a inviabilizar o seu sonho de comprar uma usada “top” ou “intermediária”.

Sou fã de algumas marcas nacionais. Ora, o Brasil é rico em madeiras. Uma hora a indústria da bateria iria aprender a tirar proveito disso – e essa hora chegou. Hoje temos um leque de opções enorme e as bateras são de alto nível. Uma Odery vai se destacar em qualquer lugar do planeta. Uma RMV Concept também. Até a Pingüim voltou com tudo a fabricar suas baterias. Temos ainda a Master e a Adah – esta última com sua Classic Art que chegou no mercado imprensionando até mesmo os mais exigentes. Se considerarmos as importadas as opções também são enormes. A Pearl Export é o fusca. Agüenta o tranco – é bonita, bem acabada e tem um sonzão. Da mesma forma é a Tama Rockstar. Se você não tem muito pra investir, temos a Pearl Fórum ou a Tama Swingstar. Até a Gretsch tem as suas baterias para iniciantes ou intermediárias hoje em dia. A Mapex e a Pacific também são marcas que oferecem boas intermediárias. Enfim, não falta bateria por aí – a questão é você encontrar uma que seja o seu número.

Não se esqueça que o investimento não termina nos tambores. Você ainda vai ter que comprar pratos e estantes. Portanto, leve isso em consideração. Você terá que saber planejar muito bem essa compra, de molde que os recursos sejam suficientes para montar o kit completo. Não invista muito num lado de forma que falte do outro – a frustração na hora de tocar será enorme.

Rafael Brunetto

 

Dicas de ensaio 1

Olá amigos, hoje quero falar sobre algo fundamental para uma boa performance: Ensaio. Mais especificamente sobre como se preparar bem para um ensaio.

Percebo pelo relato de muitos alunos e também por situações que vivi em ensaios ao longo dos anos que é comum os músicos não se prepararem adequadamente para os ensaios de suas bandas e o resultado é que estes simplesmente não rendem o que deveriam render. Eu mesmo já dei os meus deslizes, e tendo aprendido amargando as conseqüências, passo as dicas pra vocês não cometerem os mesmos erros.

Ensaio é preparação, o que não quer dizer que você pode (nem muito menos que deve) chegar ao ensaio totalmente “cru”. Então essa é a primeira dica:

1: Vá para o ensaio já preparado, com suas partes tiradas e praticadas!

Organização, essa é a palavra chave. Para que os músicos possam se preparar bem para o ensaio é preciso primeiramente definir o programa para o próximo ensaio, ou seja, quais músicas serão ensaiadas. Feito isso cada músico pode se preparar adequadamente da seguinte forma: No caso das músicas novas cada músico deve tirar suas partes em casa e praticá-las, e quanto às músicas que já faziam parte do repertório basta apenas repassar e relembrar  as partes. Assim não se corre o risco de chegar no ensaio e “descobrir” que não se lembra mais daquelas passagens.

Então:

2: Não é para chegar no ensaio e um olhar pra cara do outro e se perguntar: “E ai? O que nós vamos fazer hoje?”. Se organizem e, principalmente, não mudem em cima da hora o que foi combinado.

3: Ensaio é para a prática em conjunto, para matar dúvidas e para acertar detalhes, não é pra tirar música nem ficar tentando lembrar.

O que, por exemplo, os demais músicos vão ficar fazendo enquanto o guitarrista fica ouvindo a música tentando tirar os riffs? Nada! E ai o tempo de ensaio está simplesmente indo pelo ralo.

Outra coisa que costuma ser feita de maneira errada é sempre chegar e já querer sair tocando. Se for ensaio de uma música nova é primordial antes os músicos conferirem se todos tiraram corretamente, matar dúvidas e acertar detalhes para ai sim, passar a música com todos os instrumentos. Um erro que vi bastante é a falta de paciência de alguns músicos não quererem esperar enquanto outros estão verificando suas partes, como se essa checada geral não fizesse parte do ensaio. Claro que faz! Fazer isso não tem nada a ver com estar tirando a música no ensaio, e se não for feito pode ser que uns estejam tocando convenções e pequenos detalhes um pouco diferente entre si, o que compromete bem o resultado final.

Então pra finalizar:

4 – Chegar preparado não quer dizer que absolutamente nada precisará ser verificado e comparado com o que outros músicos tiraram pra fazer eventuais correções. Ficar simplesmente tocando repetidamente as músicas sem parar pra checar detalhes pode ser apenas “repetição burra”.

Ok?!

Bons ensaios!

Nando Moraes