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Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band: O disco dos Beatles que mudou o rock

Em meados dos Anos 1960, os Beatles estavam se afastando daquela imagem juvenil de “Reis do Iê Iê Iê”. O primeiro passo foram as gravações de “Rubber Soul” e “Revolver”, em 1965 e 1966 respectivamente. Mas, a mudança viria mesmo com “Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band, lançado em 1967. Deste disco em diante, o rock não seria mais o mesmo.

Os Beatles já haviam se tornado o grupo musical mais famoso do mundo antes de lançarem Sgt Pepper´s. Enquanto o mundo ardia em conflitos políticos, os rapazes de Liverpool não queriam nem saber e procuravam manter a imagem de bons moços. Mesmo com a polêmica frase de John Lennon, “nós somos mais populares que Jesus Cristo”, dito em meados da década, a preocupação deles era com a música. Mais tarde, o mesmo John Lennon iria se envolver mais com política, e isso pode ser um dos motivos que levou o grupo a se separar em 1970. Porém, naquele ano de 1966, quando o LCD estava abrindo as cabeças e o rock vivia seu segundo grande momento histórico, a banda mais famosa daquele período vivia seu apogeu.

Apesar de ser lançado somente em 2 de junho de 1967, Sgt Pepper´s começou a ser germinado no ano anterior, quando Paul McCartney pensou em fazer algo que mudasse a imagem do grupo: de rapazes engraçadinhos a músicos sérios. Paul viu nessa mudança a oportunidade da banda explorar os mesmo caminhos que já haviam sido abertos pelos dois álbuns anteriores (“Rubber Soul e “Revolver”). Porém, indo mais fundo nessas experiências.

Sgt Pepper´s introduziu uma série de experimentações de estúdio que o fizeram uma referência para as gravações dos álbuns a partir de então.

Capitaneando os estúdios e uma mesa de quatro canais estava o produtor George Martin, que deu vida às ideias musicais dos rapazes dos Beatles.

O embrião do que o álbum traria fora lançado ainda em 1966, “Strawberry Fields Forever”, um single que não está no disco, mas que abriu as portas para o que viria a ser feito.

Sgt. Pepper´s foi pensado para ser um álbum revolucionário como um todo. Até a sequência das canções foi planejada e, as músicas emendadas sem interrupção, era algo inovador para a época. Além do que, com esse disco, os Beatles acabaram influenciando a criação do termo que viria a ser batizado de “album conceitual”. Na verdade, John Lennon foi quem teve essa ideia, que foi combatida ferozmente pelo empresário deles na época: Brian Epstein, que acabou perdendo a batalha. Assim, o disco era inovador também por esse motivo. Uma vez que os LPs na Inglaterra eram vistos como um amontoado de hits somados ao que era conhecido por “fillers”, músicas para completar o vinil. Com Sgt. Pappers, os Beatles acabam com isso, e os LPs passam a ter identidade própria, pois a ideia era oferecer um maior número de músicas no espaço de um vinil.

O álbum fora gravado entre 6 de dezembro de 1966 e 1 de abril de 1967. Os Beatles e o produtor George Martin se enfurnaram no estúdio por 129 dias e produziram cerca de 700 horas de gravação para nascer Sgt. Papper´s.

Só para se ter uma ideia do impacto do álbum, lançado somente em 2 de junho daquele ano de 1967, seis dias depois do lançamento, Jimi Hendrix já cantava a música tema nos seus shows pela Inglaterra.

Posteriormente a Sgt. Pepper´s, muitos outros artistas criaram seus “álbuns conceituais”, mas certamente, os Beatles saíram na frente, dando o pontapé inicial e influenciaram um cem número de artistas pelo mundo afora.

Se hoje as novas tecnologias permitem gravações de todas as maneiras, naqueles longínquos anos de 1966 e 1967, os Beatles, George Martin e uma mesa de quatro canais, provaram que para se gravar um bom disco não é preciso muita tecnologia, mas, sim, muita criatividade e genialidade ao produzir um álbum tão complexo com o que a tecnologia dispunha naquele momento.

Se hoje sobra tecnologia, falta criatividade aos grupos de rock, que mais parecem uma cópia de si mesmos, por isso que Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, continua sendo um disco tão importante para o rock hoje e sempre.

 

A Capa de Sgt Pepper´s…

 

Outro diferencial do disco Sgt. Peppers dos Beatles era a capa. A idéia original foi de Paul McCartney, que desenhou num papel uma multidão em praça pública assistindo Sgt. Pepper e sua banda receberem do prefeito uma copa ou um troféu.

Então, a partir desse desenho, os artistas Peter Blake e Jane Haworth desenham e desenvolvem toda a concepção da capa do disco. Também Robert Frazer, dono de uma galeria de artes, supervisionou todo o projeto. Inclusive, foi ele quem indicou o fotógrafo Michael Cooper para a famosa foto da capa.

Aconteceu então uma reunião entre Blake, Frazer e McCartney, onde nasceu a idéia da banda escolher a galeria de pessoas a serem representadas na capa. Paul se encarregou de levar a proposta aos demais Beatles e sugerir que eles indicassem uma lista de pessoas que gostariam de ver na capa do disco.

John Lennon escolheria: Lenny Bruce, Aleister Crowley, Dylan Thomas, Oscar Wilde, Edgar Allen Poe e Lewis Carroll. De sua lista foram excluidos: Gandhi, Hittler, Jesus Cristo, Marques de Sade entre outros; George Harrison só escolheu Gurus indianos, todos com nomes incompreensíveis; Paul McCartney indicou Brigitte Bardot, William Burroughs, Robert Pell, Karlheinz Stockhausen, Aldous Hexley, H.G. Wells, Albert Einstein, Carl Jung, Aubrey Beardsley, Alfred Jarry, Tom Mix, Johnny Weissmuller, Rene Magritte, Tyrone Power, Karl Marx, Richmal Crompton, Dick Barton, Tommy Handley, Albert Stubbins e Fred Astaire; Ringo Starr não indicou ninguém, apenas apoio as indicações dos demais Beatles; o casal de artitas Peter Blake e Jane Haworth contribuiram com as presenças de W.C. Fields, Tony Curtis, Dion DiMucci, Bobby Breen, Shirley Temple, Sonny Liston, Johnny Weissmuller e H.C. Westerman e, Robert Frazer incluiu Terry Shoutern, Wally Berman e Richard Lindner.

Muita gente mesmo foi homenageada com a foto na capa do disco. Também essa capa seria uma grande influência para tantas outras capas de discos de rock a partir de então. No ano seguinte, 1968, Frank Zappa parodiou a capa de Sgt. Peppers no seu disco We´re Only In It For the Money (Nós só estamos nessa por dinheiro), refazendo a famosa foto como muita ironia. Os Beatles encararam numa boa a gozação, mas não responderam se estavam na música somente por dinheiro.

 

Faixas Comentadas

 

“Sgt. Peppers Lonely Hearts Club”, a música que abre o disco, é uma brincadeira com aquela coisa de ser uma outra banda, e traz uma gritaria no final, que é de uma apresentação do grupo no Hollywood Bowl, em 1965; “A Little Help From My Friends”, é cantada por Ringo Starr, pois, como era acordado entre eles, em todos os discos, pelo menos duas músicas seriam cantadas por Ringo e George. Assim, Lennon e McCartney perceberam que o disco estava quase pronto e faltava uma canção para Ringo cantar, daí nasceu essa música; “Lucy It The Sky With Diamonds”, que todos juram ser uma referência ao LSD, mas que John Lennon dizia que se tratava de um desenho feito pelo seu filho Julian, então com quatro anos, para sua amiguinha Lucy O´Donell, uma colega de escola; “Getting Better” nasceu de uma expressão de Jimmy Nichol, baterista que substitui Ringo Starr na turnê Australiana de 1964, pois Ringo estava hospitalizado. John Lennon disse a respeito dela: “Eu sou um homem violento que aprendeu a não ser violento. Um homem que se arrependeu de sua violência.”; “She´s Leaving Home” foi inspirada num artigo de jornal sobre uma garota de 17 anos que fugiu de casa. Nessa canção, a orquestra foi regida por outra pessoa, não por George Martin, que ficou ofendido com a atitude do grupo; “Being For The Benefit Of. Mr. Kite” teve como inspiração um cartaz de 1843 que foi comprado por John Lennon, com a apresentação de um circo que foi de William Darby, o primeiro negro a ser proprietário de um circo na Inglaterra; “Within You, Without You” é baseada na filosofia hindu que George Harrison estava estudando; “When I´m Sixty-Four” foi escrita por Paul McCarty quando ele era menino, em 1957, quando morava com seus pais; “Lovely Rita” tem uma referência ao nome de um policial de trânsito chamado Meta Davis. Paul ficou encantado com o nome Meta, que segundo ele, soava como um jingle publicitário. Brincando ao piano acabou compondo essa música; “Good Morning Good Morning” foi tirada de uma propaganda da Kellogs sobre cereais de milho. A letra é uma ode à vida suburbana que John Lennon vivia naquela época; e finalmente “A Day In The Life”, que se refere quase exclusivamente a alguns artigos de jornais lidos diariamente por John Lennon.

No final do disco, em vinil, ainda era possível ouvir uma mensagem ao contrário (chamada de backmasking), segundo Paul a mensagem dizia: “Coundn´t really be any other” (traduzir), mas que soava mais como: “We´ll fuck you like superman”, que não dá para traduzir.

 

NOTA: Para escrever este artigo, utilizei-me das pesquisas e partes do texto que fora produzido por mim para o Programa Arquivo Pop, na Rádio Cultura FM de Amparo.

 

Vitor R. E. Aleixo, publicitário, 48 anos, ex-produtor do programa “Arquivo Pop”, da Rádio Cultura FM de Amparo, 102,9MHz; atualmente, produz o programa “Wooly Bully”, na Rádio Rock Clube, no site: www.radiorockclube.net.

2112 – O Álbum que Alçou o Rush ao Estrelato do Rock And Roll

O Rush estava na estrada há um bom tempo. Tinha trocado de baterista e já havia lançado três álbuns… Mas, em 1975, a fama ainda era um objeto de desejo para o grupo.

A banda havia sido formada em 1968, em Toronto, no Canadá, por Jeff Jones, baixista e vocal, Alex Lifeson, guitarras e John Rutsey, batera. O nome “Rush” foi ideia de um irmão de Rutsey.

Logo Jeff Jones deixaria a banda, sendo substituído por Geedy Lee, um amigo de Alex Lifeson. Após algumas mudanças na formação, o grupo se consolida com Lifeson, Rutsey e Lee. Com essa formação, lançam de forma independente seu primeiro disco, chamado “Rush”, em 1974.

Em meados daquele ano, John Rutsey deixou a banda devido aos seus problemas de saúde. A banda então começou a procurar um batera para substituí-lo. Logo, a fama de um certo baterista chegou aos ouvidos do produtor do grupo, que foi até a fazenda onde Neil Peart morava. Neil havia tentando a sorte na Inglaterra, onde havia morado e tocado em alguns grupos de rock. Decepcionado, voltou para o Canadá e provavelmente teria abandonado a música se não fosse convidado para uma audição no Rush.

A entrada de Neil Peart no Rush marcou também uma nova fase para o grupo. Pois Neil, além de tocar muito bem bateria – alguns fãs dizem que ele toca muito melhor que John Rutsey – ele passou a compor as letras das músicas que eram feitas por Geedy Lee e Alex Lifeson.

A união desse tour de force deu seu primeiro resultado com o lançamento do álbum “Fly By Night”, em fevereiro de 1974, por uma grande gravadora (Mercury Records). A novidade do álbum era, além do novo baterista e letrista, o som que a banda apresentou, que deixou de ser apenas hard rock como no primeiro álbum, e se misturou com o rock progressivo, se transformando na assinatura sonora do Rush. Apesar disso, o álbum não agradou nem ao público e muito menos a crítica.

Neste mesmo ano, o grupo ainda lançaria “Caress Of Steel”, que desagradou ainda mais ao público e foi massacrado pela crítica. Parecia que a carreira do Rush estava fadada ao fracasso.

Então, pressionados pela gravadora, pressionado pelos empresários e frustrados com eles mesmos, o grupo entra em estúdio para gravar um novo álbum; era tudo ou nada.

O álbum começou a ser concebido quando Neil Peart, que era fã dos livros de Ayn Rand, se inspirou nos escritos libertários desta autora e compôs a faixa título do disco, uma música de mais de vinte minutos dividida em sete segmentos. Quando foi lançado, a música “2112” ocupava todo um lado do vinil, que continha no chamado Lado B, ou Lado 2, músicas que até hoje são as preferidas dos fãs da banda.

“2112” o álbum, lançado em 1º de abril de 1976, seguia o mesmo caminho de seus antecessores “Fly By Night” e “Caress Of Steel”. Porém, a mistura de hard rock e rock progressivo, que caracterizava o som da banda, neste álbum, finalmente havia se cristalizado.

Após seu lançamento, o álbum foi bem recebido pelos fãs. Pórem, a crítica continuou não gostando do trabalho da banda. Alheios aos críticos, o Rush seguiu seu caminho muito particular, gravando álbuns e compondo suas músicas e produzindo disco que até hoje fazem a cabeça dos fãs.

A tão sonhada fama havia chegado enfim para os membros do grupo. E foi com “2112” que os canadenses do Rush ganharam o mundo e escreveram seus nomes na história do Rock And Roll para sempre.

 

 

Faixas Comentadas

 

  • 2112” – A música que abre e dá nome ao disco é um épico futurista de mais de 20 minutos, divida em sete partes: I) “Overtune”, II) “Temples pf The Syrinx”, III) “Discovery”; IV) “Presentation” V) “Oracle: The Dream”, VI) “Soliloquy” e VII) “The Grande Finale”. Neil Peart se inspirou no livro “Anthem”, um romance futurista da escritora Russa, Ayn Rand. A letra fala de um homem que lidera uma revolução através da música e enfrenta os Sacerdotes do Templo de Syrinx, que governavam o mundo naquele ano de 2112. Alguns críticos dizem que a música refletia a frustação do grupo em relação à indústria da música. O curioso no caso desta música é que a gravadora só aceitou o álbum porque as outras cinco músicas que compõem o disco, e não tem nada a ver com a história narrada em “2112”, teriam, segundo eles, potencial comercial. Porém, foi justamente “2112” o maior sucesso comercial do disco. Não extamente a música inteira, mas um single de 6 minutos e 45 segundos contendo as partes de “Overtune” e “Temple of The Syrinx”. Quem quiser saber mais sobre essa música, acesse: http://whiplash.net/materias/curiosidades/112017-rush.html;
  • A Passage To Bangkok” – Essa música que abre o Lado 2 do álbum, posse ser descrita como um passeio turístico em rotas do tráfico de maconha como Colombia, México, Jamaica, Marrocos, Tailândia, etc. Onde o turista pode sentir seus odores e respirar suas “doces fragrâncias”;
  • The Twilight Zone” – Essa canção foi inspirada em dois episódios de uma série de TV americana com o mesmo nome (no Brasil veio com o nome de Além da imaginação), que fez muito sucesso nos Anos 70;
  • Lessons” – Essa música para mim fala sobre as lições que a vida nos ensina, de doces lembranças e de às vezes estarmos muito perto de perder o rumo de nossas vidas;
  • Tears” – Uma linda canção com um arranjo suave e por vezes muito triste;
  • Something For Nothing” – Para mim esta é uma das músicas mais bacanas do Rush. Um rock que começa calmo e de repente se transforma num poderoso rock and roll, com uma pegada incrível. A letra – bastante otimista – fala que as coisas importantes estão dentro da própria pessoa. O verso final diz: “na sua cabeça está a resposta / deixa ela te guiar adiante / deixe seu coração ser a âncora / e o batimento sua própria canção”.

 

Vitor R. E. Aleixo, publicitário, 47 anos, ex-produtor do programa “Arquivo Pop”, da Rádio Cultura FM de Amparo, 102,9MHz; atualmente, produz o programa “Wooly Bully”, na Rádio Rock Clube, no site: www.radiorockclube.net.

Entrevista com Steve Lukather

Olá amigos, desta vez vou postar partes de uma entrevista com um guitarrista que figura entre os grandes guitarristas da história pelo tamanho e importância de seu trabalho, mas que não é tão largamente conhecido do público brasileiro, Steve Lukather. Isso se deve em parte, creio eu, ao fato que enorme parte do trabalho de Steve ser em estúdio, tocando em gravações de outros artistas, situação na qual seu nome acaba não aparecendo ao público. Uma coisa é fato, você pode nunca ter ouvido falar dele (até agora), mas é impossível que nunca o tenha ouvido tocar, como você ficará sabendo nesta entrevista.

Além de apresentá-lo aos que ainda não o conhecem, achei interessante compartilhar esta entrevista com vocês (originalmente publicado no site americano da BOSS) por ser uma oportunidade de saber mais como pensa, quais são os valores de um músico de sucesso, não sucesso no sentido efêmero de “estrela” que nem é tanto o caso de Steve, mas sucesso como profissional que alcançou o topo pela qualidade e seriedade de seu trabalho, como vocês poderão conferir, através de muita paixão, estudo, dedicação e respeito pela música e pelos grandes artistas com quem trabalhou e por quem foi influenciado. Grande atitude. Grande cara (além de pai pra lá de coruja!).

Aqui vai o link da entrevista original.

http://www.bossus.com/boss_users_group/article.php?ArticleId=1402

E aqui vão dois links pra quem quiser conferir um pouco do homem em ação.

http://www.youtube.com/watch?v=HUHOa6binrs

http://www.youtube.com/watch?v=QGI5v1bi9VY&feature=related

Boa leitura!

 

Steve Lukather

By Paul Hanson

Tradução de Nando Moraes

 

Guitarrista, cantor, produtor e compositor Steve Lukather possui um dos mais impressionantes currículos entre todos os guitarristas da era moderna das gravações. Com décadas sendo um altamente procurado guitarrista de estúdio pelos maiores artistas da indústria musical, ele provavelmente figura em mais hits que qualquer outro guitarrista na história. Além disso, Steve fundou junto com outros virtuoses e também colegas de faculdade nos anos 1970 a banda Toto, vencedora de vários GRAMMY®, banda que continua na ativa ainda hoje.

O número de gravação em que Steve tocou é simplesmente estarrecedor, gravações para grandes nomes como Michael Jackson, Cher, Michael McDonald e Paul McCartney, apenas para citar alguns. Em www.SteveLukather.com, você encontrará uma discografia parcial que mesmo escrita em letras miúdas parece não terminar nunca.

Eu estiver com Steve por telefone numa manhã em Los Angeles depois de sua corrida matinal diária e sua sessão de exercícios pela manhã, e nós conversamos sobre sua longa e agitada carreira com a guitarra. Para ouvir nossa conversa completa além de clips de músicas de Steve acesse: www.BossUS.com/Podcasts.

A seguir confira um trecho de nossa conversa.

Eu soube que quando você era um garoto, sua mãe ganhou um piano em um programa de TV, The Hollywood Squares. É verdade?

Sim. Eu ainda tenho aquele piano. Está em minha garagem. É um pequeno piano espineta. Eu aprendi a tocar sozinho nele. Todo meu primeiro aprendizado de orquestração para piano, harmonia, teoria, composição e basicamente como tocar piano foi nele, então eu o mantive como uma pequena peça de um museu pessoal, algo assim. Eu basicamente quis guardá-lo, pois foi onde tudo começou, e talvez eu o dê para minhas crianças. Eu tenho duas gerações de filhos, de 26 anos de idade a 6 meses de idade.

Eu soube que seu filho é um guitarrista.

Meu filho Trevor tem 24 anos, e tem uma banda matadora neste momento. Eles estão indo para Londres começar a pré-produção de seu material com o filho de Jack Blade, Colin, e o neto de Elvis Presley, Ben. Eles têm umas canções ótimas e são caras jovens e bonitos. Meu filho toca muito bem, ele realmente está detonando. Ele é um grande compositor e estou realmente orgulhoso dele. Nós trabalhamos juntos (ele tocou em meu mais recente álbum). Ele vai sair tocar junto com conosco no Toto este verão. Ele é muito divertido.

Você e eu temos praticamente a mesma idade e somos grandes fãs de Beatles.

Foi onde tudo começou. Quem iria saber quando eu era um garoto ouvindo Meet the Beatles e apenas começando a tocar guitarra que eu viria a, de fato trabalhar com Paul McCartney e tocar com George Harrison e ser amigo deles e coisas assim? Era surreal.

São algumas de minhas memórias favoritas… Eu tenho algumas ótimas fotos e coisas que eu guardo em meu escritório, e eu piro: “Uau, eu realmente fiz isso.” (falando sobre seu trabalho com esses ex-Beatles). Ter completado este ciclo foi algo maravilhoso. Além de que eles são duas das mais amáveis, humildes, legais e normais das pessoas que conheço. Eu trabalhei com todas as grandes estrelas… ou não todas, mas muitas, se você olhar na minha discografia… Não há guarda-costas andando com eles. Se havia eles estavam escondidos, não havia capangas. Você entende?

George dirigiria até minha casa em um velho carro surrado. Alguém passando por ele diria “Aquele cara se parece com o George Harrison”. Só que era, entende? (risos). Ele apenas ia a minha casa, sem guarda-costas, tipo, “Ei, como vai cara?” Nós saíamos para jantar, apenas nós. Imagina, sentado na mesma mesa que Bob Dylan, George Harrison, Jeff Lynne, Jim Keltner, e eu sentado lá pensando, “se meus amigos pudessem me ver”. Eu sentado entre Bob Dylan e Geroge Harrison e pensando “Você ta brincando, cara”. Eu estava sentado entre dois de meus heróis.

Você tem algum álbum favorito dos Beatles?

Bem, Sgt. Pepper’s meio que mudou o mundo. Mas eu gosto de todos. O primeiro álbum dos Beatles foi o que me fisgou: Meet the Beatles. Imagina, eu tenho este CD em meu carro.

Mas eu preciso te contar uma coisa: Algumas gravações não deveriam ser fabricadas em CD. Tem algo sobre o vinil. Ele foi feito para o vinil. E quando é colocado secamente num CD, ele põe em evidência cada pequena falha. Você tem que entender, essas gravações foram feitas em 1963-64, a tecnologia da época era o vinil. A tecnologia digital leva o calor embora da gravação, eu prefiro as versões em vinil.

Mas Meet the Beatles of a chave do “liga” em mim, e provavelmente em cada músico de minha idade. Foi o botão “liga” que mudou o mundo, o tiro ouvido ao redor do mundo.

Para mim também.

A música ainda se mantém. A música ainda é grandiosa. As canções ainda são ótimas. Você sabe, nós vivemos na era da internet, e alguns garotos podem dizer “Beatles é um saco” ou “Hendrix não é um grande cara, ele é supervalorizado”. Como é que eles podem fazer idéia? Eles não compreendem que, em 1968, quando ouvimos Jimi e Beatles pela primeira vez foi como se alienígenas tivessem pousado em nosso quintal.

Você teria que ter vivido aquilo para realmente experimentar o que foi. Para pessoas de nossa idade, nós sabemos o impacto que isso foi. Foi como uma música de outro mundo que parecia tão inatingível. Foi assustador.

Quando você era jovem, você teve aulas com Jimmy Wyble.

Sim, isso.

Ele escreveu métodos que lidavam com coisas complexas. Eu imagino que você não aprendeu os licks de Jimmy Page com ele.

Jimmy Wyble me ensinou com ler música e coisas assim. Sabe, eu era um garoto de 14 anos cru. Eu vinha tocando desde os sete ou oito anos de idade, mas eu era um rockeiro. Eu tinha um ótimo ouvido e podia tocar rock e blues, e podia aprender coisas dos discos. Mas ele disse “Nós vamos te moer inteiro”.

Aquilo foi difícil pra mim, porque eu queria sair e detonar. Mas ele queria me ensinar as coisas, e eu tive que ficar muito, muito focado. E porque meu ouvido era muito bom, ele tocava algo para mim, e eu teria que ler. Mas, eu usava o meu ouvido, e ele dizia “você está trapaceando”. Então o que ele fazia era me passar uma lição, me passar uma música, eu levava pra casa e eu voltava na próxima semana e ele me passava uma nova música, diferente, mas do mesmo nível.

Então você tinha que Lê-la.

Aprender a ler música depois que você já toca é difícil, especialmente para guitarristas. É o único instrumento no qual você pode tocar a mesma nota em cinco diferentes lugares. No piano o Do central é o Do central. Na guitarra o Do central é tipo, um, dois, três, quatro diferentes lugares, cinco de você realmente esticar a coisa. Além disso, a afinação é em quartas e então uma terça. Eu quero dizer, a guitarra é o instrumento mais bagunçado do planeta, e é por isso que os guitarristas não são grandes leitores.

Eu li que você tocou em mais de 1500 albuns.

É o que me dizem. Eu diria uns 1000 de olhos fechados. Eu tenho feito isso por 35 anos, então não é como se eu tivesse feito isso do dia para a noite. Há uma discografia parcial em meu website. E tem um monte de coisas que eu fiz fora do radar, em outros países e coisas assim. Centenas de discos não estão lá.

 

Nos anos 1980, você esteve virtualmente na gravação de todos os hits.

Bem, eu toquei em muitas gravações de hits, muitos que as pessoas nem percebem. As pessoas não percebem que o Toto foi basicamente a banda de estúdio do álbum Thriller do Michael Jackson. Eu estive tocando no “álbum do ano” por três anos seguidos: The Dude (Quincy Jones), Toto IV, e Thriller. Sem contar outras 50 ou 60 indicações.

Eu ainda estou tocando guitarra, eu ainda tenho uma carreira de 35 anos. Eu estou bem agendado para o ano que vem, e tenho mais um monte de coisas surgindo. Eu estou mais saudável que nunca – eu parei de fumar e de beber e eu voltei pro sótão (no sentido de voltar pro quarto pra praticar). Eu tenho todo um novo equipamento. Eu estou construindo minha nova guitarra Luke III (modelo signature de Steve, fabricado pela marca Ernie Ball. – nota do tradutor). Eu tenho um par de Bogner Ecstasys, e tenho uma pequena pedaleira de pedaizinhos, sem racks… bem orgânico. Eu uso um cabo (não sistemas sem fio).

Eu uso um monte de coisas da BOSS. O que eu faço nos estúdios agora é carregar uma mochila, e não levo de fato um pedalboard, eu levo minha guitarra e uma mochila cheia de pedais. E BOSS representa a maior parte da mochila quando eu estou numa sessão de gravação. Eu realmente não uso muito efeito hoje em dia. Estou muito mais orgânico.

(…)

Quando você vai para uma sessão de gravação, tem partituras das músicas lá?

Nem sempre. Quero dizer, você precisa saber ler música, mas havia uns caras que faziam trilhas para cinema e TV que eram muito bons nisso, e esses caras ainda estão trabalhando. É uma mentalidade completamente diferente. Eu me enrolava nisso e era terrível. Eu passei por isso, mas não curti.

Eu fui contratado para preencher os espaços em branco. Eu pegava uma folha em branco e de repente em dois segundos eu vinha com um gancho. A maioria das partes rítmicas que você ouve nas coisas d Michael Jackson e Quincy Jones são todas coisas minhas.

Você quem criou o riff principal de “Beat it” do Thriller?

Esse foi o Michael. Ele cantou o riff para mim, mas eu criei (nesse momento ele canta o riff da ponte). Todas as coisas de “Human Nature” são coisas minhas. Para canções como as de “I Keep Forgettin’ de Michael McDonald, todas aquelas partes rítmicas abafadas, foram todas feitas em um único take.

(…)

Você possui uma longa e interessante carreira e tocou com algumas das melhores pessoas no mundo.

Eu realmente fui abençoado, sorte… Eu não sei como isso aconteceu. Eu estava falando com Steve Porcaro, nós chegamos numa hora que não havia absolutamente nenhuma dúvida em nossas cabeças de que nós iríamos conseguir fazer acontecer. Não havia “não” em nosso caminho. Se havia uma parede nós a derrubávamos.  Não iríamos tomar não como resposta. “Não” não é uma resposta aceitável e eu ainda acredito nisso.

Eu penso que me perdi um pouco, mas eu estou de volta e realmente acredito que redescobri meu instrumento, encontrei minha paixão, minha musa, meu coração. Sabe, em uma carreira de 35 anos não é difícil perder seu caminho às vezes, e eu me desculpo por isso. Mas eu consegui seguir em frente. Agora eu estou flutuando sobre a terra, me sentindo melhor que nunca.

 

Saiba mais sobre a Escola Francesa de Flauta Transversal

Por Leandro Porfírio  

 

A Escola Francesa de Flauta Transversal tem um prestígio Internacional de mais de 500 anos. De lá saem as primeiras flautas das Orquestras mais importantes do mundo.
As disciplinas curriculares são submetidas a uma banca examinadora, sob performance narrativa ou prática, onde o aluno tem que obter o máximo de aproveitamento, nota máxima, isto quer, dizer Medalha de Ouro.

Após ter eliminado as matérias curriculares, onde o aproveitamento é somado através de pontos obtidos, o aluno vai para a prova de performance (desempenho) no instrumento. O Programa da Prova é anexado em um mural da Instituição e o aluno terá dois meses de preparação.

No programa constam Sonatas, Concertos, e obras solo, do período barroco ao contemporâneo. A prova final de instrumento, geralmente se passa num grande teatro, com pianista acompanhador,  é aberta ao público, que também expõe suas idéias e notas sobre a avaliação do candidato, melhor intérprete barroco, melhor intérprete contemporâneo, Medalha de Ouro, etc.

A banca examinadora é composta por 6 pessoas, músicos de reputação internacional. Esse procedimento se repete a cada ano, e no final do 3º ano, completado o ciclo, se a avaliação geral for Medalha de Ouro, o curso se dá por encerrado. Como em todas as disciplinas, o aluno somente encerrará o curso com nota máxima no instrumento. Esta será sua maior conquista, e constará no Diploma – Curso Superior de Música, Medalha de Ouro.

Em uma classe de 20 alunos do mundo inteiro, somente 20%, conseguem terminar o Curso Superior de Música com a Medalha de Ouro em Flauta Transversal.
Por ser um sistema rígido e disciplinado, surgem grandes talentos na França, com experiência vivida nos maiores palcos da Europa em performance musical.

Um fator que diferencia a formação Européia em relação à Brasileira (Universidade Americana), é que na Europa, as disciplinas são em menor número, onde o aluno terá mais tempo hábil para cursar sua habilidade especifica: Regência, Composição, Instrumento.

O Programa dos Concertos realizados somam pontos no curso e constam obras de alto grau de dificuldade. Quando formado, o aluno apresentará alto nível de conhecimento no repertório de sua formação com muitas horas vividas no palco.

Na Universidade Americana (Brasileira), existem um grande número de disciplinas e no final do curso, é exigida uma dissertação, baseada nos conhecimentos gerais da área de sua formação, a base teórica tem peso maior que a prática, muito diferente do que acontece na Europa.

A Escola Francesa de Flauta obtém uma reputação desde 1.624 iniciada no Chateau de Versailles, nesta época, estes já eram reconhecidos como os melhores flautistas do mundo. Desde Louis XIV, eles impressionavam os grandes compositores da época, pela sua virtuosidade e excelência em tocar flauta transversal.

Grandes métodos e livros foram publicados a esse respeito naquela época e se mantêm como referência até hoje.

A Cultura Francesa, sua sociedade, não só marcou época na literatura, como também, na dança, pintura, artes em geral, e música, sobretudo como instrumentistas e intérpretes.

Hoje, a grande safra de músicos franceses, se deve a estrutura estabelecida pelos seus antecedentes, que através dos séculos, se mantiveram como os melhores flautistas do mundo. Nomes como Patrick Gallois, Jean Pierre Rampal, Patrice Bocquillon, Pierre Yves Artaud, Sophie Cherrier, Allan Marion, e outros, deixaram seu nome na história da flauta.

 

Leandro Porfírio é Diplomado com a Medalha de Ouro no Curso Superior de Música da Escola Nacional de Música de Paris e no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris, reside em Amparo desde março de 2010 e é professor de flauta transversal na Adagio Escola de Música desde 2010.

e-mail: leandro_flauta@hotmail.com

Site: www.adagioescola.com.br

 

Saudações a todos!

É com muito entusiasmo que juntamente com o lançamento do site da Adagio inauguramos também este Blog.

O Blog da Adagio será um espaço para que professores e eventualmente outros colaboradores publiquem textos sobre tudo que possa interessar a músicos, estudantes e amantes de música e das artes em geral.

Dicas sobre assuntos como ensaios, situações ao vivo e em estúdio, estudos, equipamentos e instrumentos, discos, filmes, artistas, bandas, cena musical e por ai vai.

Acompanhe, comente, envie perguntas e sugestões!