Archive for junho, 2011

Vai comprar sua primeira bateria??

Em regra, o iniciante não sabe nada, não conhece nada, não tem a menor referência do mercado. Apenas sente o coração batendo pedindo para sentar logo num banquinho com os tambores na frente e poder descarregar aquela vontade de acompanhar uma música, de soltar o verbo nos acordes musicais ou simplesmente batucar sem parâmetros, para além dos limites provisórios.

Atualmente são tantas as opções de marcas, configurações etc., que o iniciante fica vendidinho, sem saber que bateria comprar para atender aos seus anseios. Nada mais natural, pois é um verdadeiro oceano de oportunidades – o mercado cresceu muito nos últimos anos.

Didaticamente falando, é melhor que o principiante comece numa bateria para iniciante, pois necessariamente terá que adquirir uma boa pegada para fazer um bom som e quando tocar numa boa bateria vai fazer aquele som…

Da mesma forma, o ideal é um kit pequeno, que exigirá dele mais criatividade para reproduzir suas variações. Assim, quando ele deparar com um kit grande não terá dificuldades. Ao contrário, vai ter um universo muito maior para não cair na mesmice das viradas e levadas.

Obviamente, tudo vai depender do que você quer com a música e da sua disponibilidade financeira. O importante é você saber que a falta de dinheiro não inviabiliza o seu sonho de ser baterista. A dificuldade de se tocar num instrumento ruim ou ultrapassado é revertida em seu benefício num futuro não muito longe, pois quem aprende a tocar num instrumento assim, aprende de verdade – e toca em qualquer instrumento ou em qualquer situação.

O mercado de bateria é honesto, com raras exceções. O preço de uma batera varia de acordo com suas características. A madeira, os aros, a quantidade de tambores e ferragens, o acabamento, a forma de fabricação, a borda, enfim, tudo vai influenciar no preço final. O que é importante sublinhar é que nos dias de hoje as baterias brasileiras estão muito boas, sem necessidade de se recorrer às grandes marcas estrangeiras para se fazer um bom som. A grande vantagem da bateria nacional é que o fabricante fica aqui, e se você precisar de peça de reposição vai ter mais facilidade pra conseguir. O mesmo vale se você quiser ampliar o seu set.

Não se deixe levar pelo gosto dos outros. Se você conhece algum baterista e quer um kit igual ao dele, vai entrar numa furada. Bateria é uma coisa muito pessoal. Tudo vai depender do som que você quer levar, ou seja, do seu gosto musical e do seu estilo pessoal de tocar e ouvir a música – e gosto é gosto – não se discute. Cada um tem um ouvido…é como gravata – muito pessoal. Por isso existem baterias para iniciantes. São baterias feitas com medidas-padrão – que caem bem nos mais diversos estilos musicais atendendo a gregos e troianos. Tambores profundos caem bem num rock, mas os rasos, em geral, são mais definidos e se enquadram melhor na atmosfera do jazz, da bossa – e por aí vai. Até o ângulo da borda dos tambores influencia no som. Portanto, comece preferencialmente com medidas padronizadas.

Particularmente, se eu fosse começar a tocar bateria agora, compraria uma de nível “intermediário”, pois dependendo da batera, atende as expectativas profissionais no caso da coisa dar certo – e não precisaria trocar de kit tão cedo. Digo mais: compraria uma bateria usada, pois o preço cai bem e eu poderia adquirir um instrumento melhor, pelo mesmo custo de uma nova inferior. Bateria não é como um carro, que necessariamente envelhece com o uso. Um instrumento de qualidade antigo e bem cuidado, em tese, será melhor que o novo – pois a madeira fica curada com o tempo. Ela resseca internamente e se torna mais densa – proporcionando um sustain superior.

Por outro lado, uma bateria cuja madeira ficou exposta no tempo, ou sob umidade contínua num determinado ambiente, prejudica o casco do seu tambor. Então parceiro, muito cuidado se for comprar uma batera usada. De preferência, esteja com um baterista mais experiente de forma que ele não lhe deixe levar gato por lebre. O mercado de usadas é perigoso – existem muitos oportunistas que confundem os iniciantes. Nos classificados da web encontramos Pearl Export sendo vendidas pelo preço de MasterWorks. Entretanto, casos assim ainda são esporádicos e não chegam a inviabilizar o seu sonho de comprar uma usada “top” ou “intermediária”.

Sou fã de algumas marcas nacionais. Ora, o Brasil é rico em madeiras. Uma hora a indústria da bateria iria aprender a tirar proveito disso – e essa hora chegou. Hoje temos um leque de opções enorme e as bateras são de alto nível. Uma Odery vai se destacar em qualquer lugar do planeta. Uma RMV Concept também. Até a Pingüim voltou com tudo a fabricar suas baterias. Temos ainda a Master e a Adah – esta última com sua Classic Art que chegou no mercado imprensionando até mesmo os mais exigentes. Se considerarmos as importadas as opções também são enormes. A Pearl Export é o fusca. Agüenta o tranco – é bonita, bem acabada e tem um sonzão. Da mesma forma é a Tama Rockstar. Se você não tem muito pra investir, temos a Pearl Fórum ou a Tama Swingstar. Até a Gretsch tem as suas baterias para iniciantes ou intermediárias hoje em dia. A Mapex e a Pacific também são marcas que oferecem boas intermediárias. Enfim, não falta bateria por aí – a questão é você encontrar uma que seja o seu número.

Não se esqueça que o investimento não termina nos tambores. Você ainda vai ter que comprar pratos e estantes. Portanto, leve isso em consideração. Você terá que saber planejar muito bem essa compra, de molde que os recursos sejam suficientes para montar o kit completo. Não invista muito num lado de forma que falte do outro – a frustração na hora de tocar será enorme.

Rafael Brunetto

 

Dicas de ensaio 1

Olá amigos, hoje quero falar sobre algo fundamental para uma boa performance: Ensaio. Mais especificamente sobre como se preparar bem para um ensaio.

Percebo pelo relato de muitos alunos e também por situações que vivi em ensaios ao longo dos anos que é comum os músicos não se prepararem adequadamente para os ensaios de suas bandas e o resultado é que estes simplesmente não rendem o que deveriam render. Eu mesmo já dei os meus deslizes, e tendo aprendido amargando as conseqüências, passo as dicas pra vocês não cometerem os mesmos erros.

Ensaio é preparação, o que não quer dizer que você pode (nem muito menos que deve) chegar ao ensaio totalmente “cru”. Então essa é a primeira dica:

1: Vá para o ensaio já preparado, com suas partes tiradas e praticadas!

Organização, essa é a palavra chave. Para que os músicos possam se preparar bem para o ensaio é preciso primeiramente definir o programa para o próximo ensaio, ou seja, quais músicas serão ensaiadas. Feito isso cada músico pode se preparar adequadamente da seguinte forma: No caso das músicas novas cada músico deve tirar suas partes em casa e praticá-las, e quanto às músicas que já faziam parte do repertório basta apenas repassar e relembrar  as partes. Assim não se corre o risco de chegar no ensaio e “descobrir” que não se lembra mais daquelas passagens.

Então:

2: Não é para chegar no ensaio e um olhar pra cara do outro e se perguntar: “E ai? O que nós vamos fazer hoje?”. Se organizem e, principalmente, não mudem em cima da hora o que foi combinado.

3: Ensaio é para a prática em conjunto, para matar dúvidas e para acertar detalhes, não é pra tirar música nem ficar tentando lembrar.

O que, por exemplo, os demais músicos vão ficar fazendo enquanto o guitarrista fica ouvindo a música tentando tirar os riffs? Nada! E ai o tempo de ensaio está simplesmente indo pelo ralo.

Outra coisa que costuma ser feita de maneira errada é sempre chegar e já querer sair tocando. Se for ensaio de uma música nova é primordial antes os músicos conferirem se todos tiraram corretamente, matar dúvidas e acertar detalhes para ai sim, passar a música com todos os instrumentos. Um erro que vi bastante é a falta de paciência de alguns músicos não quererem esperar enquanto outros estão verificando suas partes, como se essa checada geral não fizesse parte do ensaio. Claro que faz! Fazer isso não tem nada a ver com estar tirando a música no ensaio, e se não for feito pode ser que uns estejam tocando convenções e pequenos detalhes um pouco diferente entre si, o que compromete bem o resultado final.

Então pra finalizar:

4 – Chegar preparado não quer dizer que absolutamente nada precisará ser verificado e comparado com o que outros músicos tiraram pra fazer eventuais correções. Ficar simplesmente tocando repetidamente as músicas sem parar pra checar detalhes pode ser apenas “repetição burra”.

Ok?!

Bons ensaios!

Nando Moraes

Saudações a todos!

É com muito entusiasmo que juntamente com o lançamento do site da Adagio inauguramos também este Blog.

O Blog da Adagio será um espaço para que professores e eventualmente outros colaboradores publiquem textos sobre tudo que possa interessar a músicos, estudantes e amantes de música e das artes em geral.

Dicas sobre assuntos como ensaios, situações ao vivo e em estúdio, estudos, equipamentos e instrumentos, discos, filmes, artistas, bandas, cena musical e por ai vai.

Acompanhe, comente, envie perguntas e sugestões!