Archive for julho, 2012

Porque um músico deve estudar ÁUDIO

Quais são as características de uma boa performance musical?

Pode-se dizer que sejam, basicamente, estas:

Afinação correta, ritmo e interpretação (criatividade, pegada, dinâmica) corretos.

             Mas isto basta?

Para tocar bem é provável que sim. Entretanto, como o som, resultado da sua performance, está chegando aos ouvidos de seu público?

A partir desta pergunta chave deve-se verificar que resta ainda uma coisa:

O som certo.

            Essa constatação nos leva a pensar para além do que estudamos em nossas aulas de música. Leva-nos a pensar no som propriamente dito. Pensamos em coisas como: Como meu som deve ser captado para que possa ser amplificado? Que tipo de amplificação seria a ideal para o meu tipo de instrumento? Meu timbre é um bom timbre? Que elementos definem um bom timbre para o instrumento que toco? Como conseguir este timbre? E muitas, muitas outras dúvidas que surgem a partir daquela pergunta chave.

            Assim começamos a pensar em áudio! Pois notamos que o músico ao tocar seu instrumento torna-se uma fonte geradora de som e este som deve chegar até os ouvidos da audiência.

Temos aí nosso esquema básico que entenderemos de forma geral como “áudio”. Veja no gráfico abaixo.

            É comum pensarmos que conhecimentos de áudio são necessários apenas na “etapa do meio” (de acordo com o esquema acima), ou seja, ao gravar um disco. E ainda, que é o técnico do estúdio quem deve saber tudo e ao músico ficaria reservado apenas “tocar”. Errado! Conceitos e conhecimentos de áudio são necessários em todas as etapas descritas acima. Na etapa inicial, temos algumas tarefas tais como “timbrar” bem seu instrumento, ajustar corretamente seus efeitos, etc. Tudo isto requer conhecimento de áudio, pois é áudio. E estas são tarefas do músico!

A maneira como o músico ajusta o timbre de seu instrumento e equipamentos pessoais para a performance é o primeiro estágio do áudio.

             É comum observar diferentes músicos ou mesmo diferentes bandas tocando repertório similar, com competência praticamente igual em relação à técnica. Porém, uma banda “soa” melhor que a outra, um músico “soa” melhor que outro. E como ambos tocam bem, ficamos sem saber exatamente o que os diferencia. A resposta, na maioria das vezes, é apenas a qualidade com que o som que eles estão produzindo chega aos nossos ouvidos. Qualidade do som: áudio. E isso se aplica tanto aos timbres dos instrumentos quanto ao som geral da banda.

            Músicos que tocam instrumentos elétricos, como guitarristas, por exemplo, já são obrigados a lidar com pelo menos um equipamento de áudio em seu dia a dia: o amplificador. No entanto, dificilmente um guitarrista fica apenas com sua guitarra ligada a um amplificador. Assim, caso ele se utilize de pedais para alterar o timbre original da guitarra, terá que lidar ainda com mais alguns equipamentos de áudio. Então para não ficar girando botões aleatoriamente, algum conhecimento de áudio será muito bem vindo!

            Observe abaixo imagens dos controles de dois pedais de efeitos bem comuns. Note, se você já tem conhecimento de teoria musical, que nenhum dos termos, gráficos ou unidades de medida aparecem em nosso estudo convencional de música e teoria musical. No entanto, você terá que usá-los!

             E não apenas os instrumentos elétricos. Os músicos que tocam instrumentos acústicos, como violino, violão e mesmo cantores, quando tem a necessidade de amplificar de alguma forma seu som, estarão entrando na área do áudio. Isso para não mencionar o momento de realizar um trabalho de gravação em um estúdio (que é certamente o lugar onde o assunto áudio é dominante e mais evidente).

            Conclusão. Evidencia-se que equipamentos e conceitos de áudio estão presentes de forma decisiva na vida dos músicos. Assim, possuir conhecimento nesta área torna-se não apenas um facilitador nas tarefas mais elementares, mas ainda um diferencial que pode ser decisivo.

            Considere ainda o surgimento de novas tecnologias, especialmente as proporcionadas pela era digital, que não apenas mudaram radicalmente a forma como fazemos música, como representam inúmeras possibilidades criativas, antes inimaginadas! Você não vai querer ficar de fora.