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2112 – O Álbum que Alçou o Rush ao Estrelato do Rock And Roll

O Rush estava na estrada há um bom tempo. Tinha trocado de baterista e já havia lançado três álbuns… Mas, em 1975, a fama ainda era um objeto de desejo para o grupo.

A banda havia sido formada em 1968, em Toronto, no Canadá, por Jeff Jones, baixista e vocal, Alex Lifeson, guitarras e John Rutsey, batera. O nome “Rush” foi ideia de um irmão de Rutsey.

Logo Jeff Jones deixaria a banda, sendo substituído por Geedy Lee, um amigo de Alex Lifeson. Após algumas mudanças na formação, o grupo se consolida com Lifeson, Rutsey e Lee. Com essa formação, lançam de forma independente seu primeiro disco, chamado “Rush”, em 1974.

Em meados daquele ano, John Rutsey deixou a banda devido aos seus problemas de saúde. A banda então começou a procurar um batera para substituí-lo. Logo, a fama de um certo baterista chegou aos ouvidos do produtor do grupo, que foi até a fazenda onde Neil Peart morava. Neil havia tentando a sorte na Inglaterra, onde havia morado e tocado em alguns grupos de rock. Decepcionado, voltou para o Canadá e provavelmente teria abandonado a música se não fosse convidado para uma audição no Rush.

A entrada de Neil Peart no Rush marcou também uma nova fase para o grupo. Pois Neil, além de tocar muito bem bateria – alguns fãs dizem que ele toca muito melhor que John Rutsey – ele passou a compor as letras das músicas que eram feitas por Geedy Lee e Alex Lifeson.

A união desse tour de force deu seu primeiro resultado com o lançamento do álbum “Fly By Night”, em fevereiro de 1974, por uma grande gravadora (Mercury Records). A novidade do álbum era, além do novo baterista e letrista, o som que a banda apresentou, que deixou de ser apenas hard rock como no primeiro álbum, e se misturou com o rock progressivo, se transformando na assinatura sonora do Rush. Apesar disso, o álbum não agradou nem ao público e muito menos a crítica.

Neste mesmo ano, o grupo ainda lançaria “Caress Of Steel”, que desagradou ainda mais ao público e foi massacrado pela crítica. Parecia que a carreira do Rush estava fadada ao fracasso.

Então, pressionados pela gravadora, pressionado pelos empresários e frustrados com eles mesmos, o grupo entra em estúdio para gravar um novo álbum; era tudo ou nada.

O álbum começou a ser concebido quando Neil Peart, que era fã dos livros de Ayn Rand, se inspirou nos escritos libertários desta autora e compôs a faixa título do disco, uma música de mais de vinte minutos dividida em sete segmentos. Quando foi lançado, a música “2112” ocupava todo um lado do vinil, que continha no chamado Lado B, ou Lado 2, músicas que até hoje são as preferidas dos fãs da banda.

“2112” o álbum, lançado em 1º de abril de 1976, seguia o mesmo caminho de seus antecessores “Fly By Night” e “Caress Of Steel”. Porém, a mistura de hard rock e rock progressivo, que caracterizava o som da banda, neste álbum, finalmente havia se cristalizado.

Após seu lançamento, o álbum foi bem recebido pelos fãs. Pórem, a crítica continuou não gostando do trabalho da banda. Alheios aos críticos, o Rush seguiu seu caminho muito particular, gravando álbuns e compondo suas músicas e produzindo disco que até hoje fazem a cabeça dos fãs.

A tão sonhada fama havia chegado enfim para os membros do grupo. E foi com “2112” que os canadenses do Rush ganharam o mundo e escreveram seus nomes na história do Rock And Roll para sempre.

 

 

Faixas Comentadas

 

  • 2112” – A música que abre e dá nome ao disco é um épico futurista de mais de 20 minutos, divida em sete partes: I) “Overtune”, II) “Temples pf The Syrinx”, III) “Discovery”; IV) “Presentation” V) “Oracle: The Dream”, VI) “Soliloquy” e VII) “The Grande Finale”. Neil Peart se inspirou no livro “Anthem”, um romance futurista da escritora Russa, Ayn Rand. A letra fala de um homem que lidera uma revolução através da música e enfrenta os Sacerdotes do Templo de Syrinx, que governavam o mundo naquele ano de 2112. Alguns críticos dizem que a música refletia a frustação do grupo em relação à indústria da música. O curioso no caso desta música é que a gravadora só aceitou o álbum porque as outras cinco músicas que compõem o disco, e não tem nada a ver com a história narrada em “2112”, teriam, segundo eles, potencial comercial. Porém, foi justamente “2112” o maior sucesso comercial do disco. Não extamente a música inteira, mas um single de 6 minutos e 45 segundos contendo as partes de “Overtune” e “Temple of The Syrinx”. Quem quiser saber mais sobre essa música, acesse: http://whiplash.net/materias/curiosidades/112017-rush.html;
  • A Passage To Bangkok” – Essa música que abre o Lado 2 do álbum, posse ser descrita como um passeio turístico em rotas do tráfico de maconha como Colombia, México, Jamaica, Marrocos, Tailândia, etc. Onde o turista pode sentir seus odores e respirar suas “doces fragrâncias”;
  • The Twilight Zone” – Essa canção foi inspirada em dois episódios de uma série de TV americana com o mesmo nome (no Brasil veio com o nome de Além da imaginação), que fez muito sucesso nos Anos 70;
  • Lessons” – Essa música para mim fala sobre as lições que a vida nos ensina, de doces lembranças e de às vezes estarmos muito perto de perder o rumo de nossas vidas;
  • Tears” – Uma linda canção com um arranjo suave e por vezes muito triste;
  • Something For Nothing” – Para mim esta é uma das músicas mais bacanas do Rush. Um rock que começa calmo e de repente se transforma num poderoso rock and roll, com uma pegada incrível. A letra – bastante otimista – fala que as coisas importantes estão dentro da própria pessoa. O verso final diz: “na sua cabeça está a resposta / deixa ela te guiar adiante / deixe seu coração ser a âncora / e o batimento sua própria canção”.

 

Vitor R. E. Aleixo, publicitário, 47 anos, ex-produtor do programa “Arquivo Pop”, da Rádio Cultura FM de Amparo, 102,9MHz; atualmente, produz o programa “Wooly Bully”, na Rádio Rock Clube, no site: www.radiorockclube.net.

Black Sabbath: a invenção do Heavy Metal

Birmingham, cidade industrial da Inglaterra, final dos Anos 1960. Quatro jovens pobres resolvem montar uma banda de rock e tocar nos bares da cidade. Em suas cabeças havia o sonho de que a música pudesse dar-lhes um futuro melhor; longe do mesmo destino da maioria dos seus moradores, que acabavam trabalhando nas fábricas da cidade.

O grupo era formado por Tony Iommi, Terry “Geezer Butler, Bill Ward e John “Ozzy” Osbourne, e chamava-se Earth. Porém, logo tiveram que mudar de nome, uma vez que descobriram que já exista uma outra banda com esse mesmo nome.

Ozzy Osbourne conta em sua biografia (Eu Sou Ozzy, editora Benvirá), que ele e Geezer Butler foram assistir a um filme chamado “Black Sabbath” (aqui no Brasil esse filme ganhou o nome de “As Três Máscaras do Terror”), estrelado por Boris Karloff. Então, eles perceberam naquele dia que as pessoas se interessam e até estão dispostas a pagar para se assustarem. Logo em seguida, Geezer Butler teve um sonho onde ele via um demônio no pé de sua cama, e aquilo tinha lhe trazido muito medo. Então, ele escreve os primeiros versos de uma canção que veio a se chamar “Black Sabbath”.

O grupo que já tocava “pesado”, para os padrões da época, começou a compor músicas mais realistas, falando de guerras, mortes e recheadas de ocultismo, que estava muito em voga naquela época. Assim, por volta de 1969, eles resolvem assumir o nome de Black Sabbath. E, em janeiro de 1970, finalmente eles conseguem um contrato para gravar seu primeiro disco. Segundo Ozzy, o nome Black Sabbath fez muita diferença, uma vez que tudo que era relacionado com o “lado escuro” vendia.

Sobre as gravações do álbum, Tony Iommi disse: “Entramos no estúdio e fizemos tudo num dia só: tocamos nosso repertório daquele tempo e pronto. Nunca fizemos uma segunda versão da maior parte do material.”.

Com um prazo tão apertado, o resultado final foi que o álbum ficou com uma crueza poucas vezes ouvida no rock and roll. Tony Iommi, que havia sofrido um acidente e perdido as duas pontas dos dedos da mão direita, resolveu gravar as guitarras do álbum meio tom abaixo (mi bemol), o que acentuou ainda mais o som opressivo do disco.

Enquanto o grupo continuava suas apresentações em bares e casas noturnas, em 13 de fevereiro de 1970, uma sexta-feira, é lançado o disco “Black Sabbath”.

A começar pela capa, onde uma mulher com ares de bruxa é fotografada numa paisagem bucólica, depois, as sete canções que compõem o álbum não deixavam dúvidas de que aquele disco não era simplesmente mais um disco de rock; era, na verdade, um divisor de águas, considerado hoje como a Pedra Fundamental do Heavy Metal.

Logo, a canção “Black Sabbath” começou a tocar no programa Radio 1, da BBC, o que ajudou muito a banda a ficar mais conhecida.

Após o disco ser lançado, a recepção da crítica não foi das melhores, nem na Inglaterra e tão pouco nos Estados Unidos. Lester Bangs, famoso crítico da revista Rolling Stone, disse que o álbum era pretensioso, mal gravado, e que o Black Sabbath era como o Cream, banda de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker, só que muito pior. Ao longo de todo sua carreira, o grupo iria agradar sempre mais ao público do que aos críticos.

A importância do disco só foi sendo percebida com o passar do tempo e com a quantidade de bandas que foram surgindo tendo como referência o Black Sabbath. Além disso, o som da banda não havia nascido de um desdobramento de um outro gênero, como por exemplo, o Rock Progressivo, que nasce a partir do som psicodélico. Não, o que fora criado por Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward, deve-se à ousadia e a criatividade deles mesmo, que souberam catalisar em suas músicas toda uma insatisfação com a vida e o mundo do seu tempo. “Nossa música é uma reação a toda essa babaquice de paz, amor e felicidade. Os hippies ficam tentando te convencer de que o mundo é uma maravilha, mas é só olhar ao redor para ver em que merda nós estamos“, disse Ozzy.

 

Faixas Comentadas

  • Black Sabbath” – A canção abre o disco com seu clima sombrio, trovoadas e as notas sinistras do seu refrão, e traz na letra uma referência ao sonho de Geezer Butler, onde uma pessoa é perseguida por um demônio. Muitos críticos e principalmente religiosos acusam a banda de fazer apologia ao Diabo. O riff foi construído com uma progressão harmônica, incluindo uma quinta diminuta. Esse intervalo era chamado na Idade Média de “Diabolous in Musica”, pois devido ao seu alto grau de dissonância  sugeria conotações satânicas (falta de harmonia, feiura) em contraposição com combinações sonoras consonates (harmonia, beleza) para os padrões estéticos musicais da época. Muitas bandas de Heavy Metal tem se utilizado deste intervalo em suas canções. Segundo Geezer Butler, essa canção teve o riff inspirado em “Mars, The Bringer of War”, o primeiro movimento da música “Suíte The Planets”, do compositor inglês Gustav Holst;
  • N.I.B” – Traz uma letra que sugere a entrega ao senhor das trevas, Lúcifer. Apesar de todos acreditarem que a sigla signifique: Nativ On Black, segundo a banda, ela é na verdade uma referência ao apelido de Bill Ward por causa de sua barba, que era parecida com uma ponta de caneta (pen nib),em inglês. Essa música apresenta um efeito de Wah-wah no baixo, em sua introdução, uma inovação para a época;
  • Evil Woman” – A música que é uma cover de uma banda americana de blues rock chamada Crow, foi lançada primeiramente como single em dezembro de 1969, depois foi incorporada ao disco;
  • Behind The Walls of Sleep” – Essa música fora inspirada num livro do escritor H.P. Lovecraft, que morreu em 1937. Os trabalhos deste autor são profundamente pessimistas e cínicos, muitas vezes contrários aos valores do Iluminismo e do Cristianismo. Sua obra é exclusivamente sobre o horror, tendo a finalidade de perturbar o leitor. Diversas bandas de Heavy Metal se inspiraram em suas histórias;
  • Warning” – Esta música foi inspirada numa canção de Aynsley Dunbar, chamada “Retalation”. Em dado momento, somente a guitarra de Iommi é ouvida, os outros instrumentos silenciam. Então, ele dá mostras de sua incrível capacidade de criar riffs, pois, o que ele toca poderia ter sido transformado em um monte de outras músicas;
  • Wicked World” – Esta música ficou de fora do disco lançado na Inglaterra e aqui no Brasil. Nos EUA, o álbum foi lançado com ela. Posteriormente, ela foi incluída também quando lançado em CD.

 

 

Vitor R. E. Aleixo, publicitário, 47 anos, ex-produtor do programa “Arquivo Pop”, da Rádio Cultura FM de Amparo, 102,9MHz; atualmente, produz o programa “Wooly Bully”, na Rádio Rock Clube, no site: www.radiorockclube.net.