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Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band: O disco dos Beatles que mudou o rock

Em meados dos Anos 1960, os Beatles estavam se afastando daquela imagem juvenil de “Reis do Iê Iê Iê”. O primeiro passo foram as gravações de “Rubber Soul” e “Revolver”, em 1965 e 1966 respectivamente. Mas, a mudança viria mesmo com “Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band, lançado em 1967. Deste disco em diante, o rock não seria mais o mesmo.

Os Beatles já haviam se tornado o grupo musical mais famoso do mundo antes de lançarem Sgt Pepper´s. Enquanto o mundo ardia em conflitos políticos, os rapazes de Liverpool não queriam nem saber e procuravam manter a imagem de bons moços. Mesmo com a polêmica frase de John Lennon, “nós somos mais populares que Jesus Cristo”, dito em meados da década, a preocupação deles era com a música. Mais tarde, o mesmo John Lennon iria se envolver mais com política, e isso pode ser um dos motivos que levou o grupo a se separar em 1970. Porém, naquele ano de 1966, quando o LCD estava abrindo as cabeças e o rock vivia seu segundo grande momento histórico, a banda mais famosa daquele período vivia seu apogeu.

Apesar de ser lançado somente em 2 de junho de 1967, Sgt Pepper´s começou a ser germinado no ano anterior, quando Paul McCartney pensou em fazer algo que mudasse a imagem do grupo: de rapazes engraçadinhos a músicos sérios. Paul viu nessa mudança a oportunidade da banda explorar os mesmo caminhos que já haviam sido abertos pelos dois álbuns anteriores (“Rubber Soul e “Revolver”). Porém, indo mais fundo nessas experiências.

Sgt Pepper´s introduziu uma série de experimentações de estúdio que o fizeram uma referência para as gravações dos álbuns a partir de então.

Capitaneando os estúdios e uma mesa de quatro canais estava o produtor George Martin, que deu vida às ideias musicais dos rapazes dos Beatles.

O embrião do que o álbum traria fora lançado ainda em 1966, “Strawberry Fields Forever”, um single que não está no disco, mas que abriu as portas para o que viria a ser feito.

Sgt. Pepper´s foi pensado para ser um álbum revolucionário como um todo. Até a sequência das canções foi planejada e, as músicas emendadas sem interrupção, era algo inovador para a época. Além do que, com esse disco, os Beatles acabaram influenciando a criação do termo que viria a ser batizado de “album conceitual”. Na verdade, John Lennon foi quem teve essa ideia, que foi combatida ferozmente pelo empresário deles na época: Brian Epstein, que acabou perdendo a batalha. Assim, o disco era inovador também por esse motivo. Uma vez que os LPs na Inglaterra eram vistos como um amontoado de hits somados ao que era conhecido por “fillers”, músicas para completar o vinil. Com Sgt. Pappers, os Beatles acabam com isso, e os LPs passam a ter identidade própria, pois a ideia era oferecer um maior número de músicas no espaço de um vinil.

O álbum fora gravado entre 6 de dezembro de 1966 e 1 de abril de 1967. Os Beatles e o produtor George Martin se enfurnaram no estúdio por 129 dias e produziram cerca de 700 horas de gravação para nascer Sgt. Papper´s.

Só para se ter uma ideia do impacto do álbum, lançado somente em 2 de junho daquele ano de 1967, seis dias depois do lançamento, Jimi Hendrix já cantava a música tema nos seus shows pela Inglaterra.

Posteriormente a Sgt. Pepper´s, muitos outros artistas criaram seus “álbuns conceituais”, mas certamente, os Beatles saíram na frente, dando o pontapé inicial e influenciaram um cem número de artistas pelo mundo afora.

Se hoje as novas tecnologias permitem gravações de todas as maneiras, naqueles longínquos anos de 1966 e 1967, os Beatles, George Martin e uma mesa de quatro canais, provaram que para se gravar um bom disco não é preciso muita tecnologia, mas, sim, muita criatividade e genialidade ao produzir um álbum tão complexo com o que a tecnologia dispunha naquele momento.

Se hoje sobra tecnologia, falta criatividade aos grupos de rock, que mais parecem uma cópia de si mesmos, por isso que Sgt Pepper´s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, continua sendo um disco tão importante para o rock hoje e sempre.

 

A Capa de Sgt Pepper´s…

 

Outro diferencial do disco Sgt. Peppers dos Beatles era a capa. A idéia original foi de Paul McCartney, que desenhou num papel uma multidão em praça pública assistindo Sgt. Pepper e sua banda receberem do prefeito uma copa ou um troféu.

Então, a partir desse desenho, os artistas Peter Blake e Jane Haworth desenham e desenvolvem toda a concepção da capa do disco. Também Robert Frazer, dono de uma galeria de artes, supervisionou todo o projeto. Inclusive, foi ele quem indicou o fotógrafo Michael Cooper para a famosa foto da capa.

Aconteceu então uma reunião entre Blake, Frazer e McCartney, onde nasceu a idéia da banda escolher a galeria de pessoas a serem representadas na capa. Paul se encarregou de levar a proposta aos demais Beatles e sugerir que eles indicassem uma lista de pessoas que gostariam de ver na capa do disco.

John Lennon escolheria: Lenny Bruce, Aleister Crowley, Dylan Thomas, Oscar Wilde, Edgar Allen Poe e Lewis Carroll. De sua lista foram excluidos: Gandhi, Hittler, Jesus Cristo, Marques de Sade entre outros; George Harrison só escolheu Gurus indianos, todos com nomes incompreensíveis; Paul McCartney indicou Brigitte Bardot, William Burroughs, Robert Pell, Karlheinz Stockhausen, Aldous Hexley, H.G. Wells, Albert Einstein, Carl Jung, Aubrey Beardsley, Alfred Jarry, Tom Mix, Johnny Weissmuller, Rene Magritte, Tyrone Power, Karl Marx, Richmal Crompton, Dick Barton, Tommy Handley, Albert Stubbins e Fred Astaire; Ringo Starr não indicou ninguém, apenas apoio as indicações dos demais Beatles; o casal de artitas Peter Blake e Jane Haworth contribuiram com as presenças de W.C. Fields, Tony Curtis, Dion DiMucci, Bobby Breen, Shirley Temple, Sonny Liston, Johnny Weissmuller e H.C. Westerman e, Robert Frazer incluiu Terry Shoutern, Wally Berman e Richard Lindner.

Muita gente mesmo foi homenageada com a foto na capa do disco. Também essa capa seria uma grande influência para tantas outras capas de discos de rock a partir de então. No ano seguinte, 1968, Frank Zappa parodiou a capa de Sgt. Peppers no seu disco We´re Only In It For the Money (Nós só estamos nessa por dinheiro), refazendo a famosa foto como muita ironia. Os Beatles encararam numa boa a gozação, mas não responderam se estavam na música somente por dinheiro.

 

Faixas Comentadas

 

“Sgt. Peppers Lonely Hearts Club”, a música que abre o disco, é uma brincadeira com aquela coisa de ser uma outra banda, e traz uma gritaria no final, que é de uma apresentação do grupo no Hollywood Bowl, em 1965; “A Little Help From My Friends”, é cantada por Ringo Starr, pois, como era acordado entre eles, em todos os discos, pelo menos duas músicas seriam cantadas por Ringo e George. Assim, Lennon e McCartney perceberam que o disco estava quase pronto e faltava uma canção para Ringo cantar, daí nasceu essa música; “Lucy It The Sky With Diamonds”, que todos juram ser uma referência ao LSD, mas que John Lennon dizia que se tratava de um desenho feito pelo seu filho Julian, então com quatro anos, para sua amiguinha Lucy O´Donell, uma colega de escola; “Getting Better” nasceu de uma expressão de Jimmy Nichol, baterista que substitui Ringo Starr na turnê Australiana de 1964, pois Ringo estava hospitalizado. John Lennon disse a respeito dela: “Eu sou um homem violento que aprendeu a não ser violento. Um homem que se arrependeu de sua violência.”; “She´s Leaving Home” foi inspirada num artigo de jornal sobre uma garota de 17 anos que fugiu de casa. Nessa canção, a orquestra foi regida por outra pessoa, não por George Martin, que ficou ofendido com a atitude do grupo; “Being For The Benefit Of. Mr. Kite” teve como inspiração um cartaz de 1843 que foi comprado por John Lennon, com a apresentação de um circo que foi de William Darby, o primeiro negro a ser proprietário de um circo na Inglaterra; “Within You, Without You” é baseada na filosofia hindu que George Harrison estava estudando; “When I´m Sixty-Four” foi escrita por Paul McCarty quando ele era menino, em 1957, quando morava com seus pais; “Lovely Rita” tem uma referência ao nome de um policial de trânsito chamado Meta Davis. Paul ficou encantado com o nome Meta, que segundo ele, soava como um jingle publicitário. Brincando ao piano acabou compondo essa música; “Good Morning Good Morning” foi tirada de uma propaganda da Kellogs sobre cereais de milho. A letra é uma ode à vida suburbana que John Lennon vivia naquela época; e finalmente “A Day In The Life”, que se refere quase exclusivamente a alguns artigos de jornais lidos diariamente por John Lennon.

No final do disco, em vinil, ainda era possível ouvir uma mensagem ao contrário (chamada de backmasking), segundo Paul a mensagem dizia: “Coundn´t really be any other” (traduzir), mas que soava mais como: “We´ll fuck you like superman”, que não dá para traduzir.

 

NOTA: Para escrever este artigo, utilizei-me das pesquisas e partes do texto que fora produzido por mim para o Programa Arquivo Pop, na Rádio Cultura FM de Amparo.

 

Vitor R. E. Aleixo, publicitário, 48 anos, ex-produtor do programa “Arquivo Pop”, da Rádio Cultura FM de Amparo, 102,9MHz; atualmente, produz o programa “Wooly Bully”, na Rádio Rock Clube, no site: www.radiorockclube.net.

2112 – O Álbum que Alçou o Rush ao Estrelato do Rock And Roll

O Rush estava na estrada há um bom tempo. Tinha trocado de baterista e já havia lançado três álbuns… Mas, em 1975, a fama ainda era um objeto de desejo para o grupo.

A banda havia sido formada em 1968, em Toronto, no Canadá, por Jeff Jones, baixista e vocal, Alex Lifeson, guitarras e John Rutsey, batera. O nome “Rush” foi ideia de um irmão de Rutsey.

Logo Jeff Jones deixaria a banda, sendo substituído por Geedy Lee, um amigo de Alex Lifeson. Após algumas mudanças na formação, o grupo se consolida com Lifeson, Rutsey e Lee. Com essa formação, lançam de forma independente seu primeiro disco, chamado “Rush”, em 1974.

Em meados daquele ano, John Rutsey deixou a banda devido aos seus problemas de saúde. A banda então começou a procurar um batera para substituí-lo. Logo, a fama de um certo baterista chegou aos ouvidos do produtor do grupo, que foi até a fazenda onde Neil Peart morava. Neil havia tentando a sorte na Inglaterra, onde havia morado e tocado em alguns grupos de rock. Decepcionado, voltou para o Canadá e provavelmente teria abandonado a música se não fosse convidado para uma audição no Rush.

A entrada de Neil Peart no Rush marcou também uma nova fase para o grupo. Pois Neil, além de tocar muito bem bateria – alguns fãs dizem que ele toca muito melhor que John Rutsey – ele passou a compor as letras das músicas que eram feitas por Geedy Lee e Alex Lifeson.

A união desse tour de force deu seu primeiro resultado com o lançamento do álbum “Fly By Night”, em fevereiro de 1974, por uma grande gravadora (Mercury Records). A novidade do álbum era, além do novo baterista e letrista, o som que a banda apresentou, que deixou de ser apenas hard rock como no primeiro álbum, e se misturou com o rock progressivo, se transformando na assinatura sonora do Rush. Apesar disso, o álbum não agradou nem ao público e muito menos a crítica.

Neste mesmo ano, o grupo ainda lançaria “Caress Of Steel”, que desagradou ainda mais ao público e foi massacrado pela crítica. Parecia que a carreira do Rush estava fadada ao fracasso.

Então, pressionados pela gravadora, pressionado pelos empresários e frustrados com eles mesmos, o grupo entra em estúdio para gravar um novo álbum; era tudo ou nada.

O álbum começou a ser concebido quando Neil Peart, que era fã dos livros de Ayn Rand, se inspirou nos escritos libertários desta autora e compôs a faixa título do disco, uma música de mais de vinte minutos dividida em sete segmentos. Quando foi lançado, a música “2112” ocupava todo um lado do vinil, que continha no chamado Lado B, ou Lado 2, músicas que até hoje são as preferidas dos fãs da banda.

“2112” o álbum, lançado em 1º de abril de 1976, seguia o mesmo caminho de seus antecessores “Fly By Night” e “Caress Of Steel”. Porém, a mistura de hard rock e rock progressivo, que caracterizava o som da banda, neste álbum, finalmente havia se cristalizado.

Após seu lançamento, o álbum foi bem recebido pelos fãs. Pórem, a crítica continuou não gostando do trabalho da banda. Alheios aos críticos, o Rush seguiu seu caminho muito particular, gravando álbuns e compondo suas músicas e produzindo disco que até hoje fazem a cabeça dos fãs.

A tão sonhada fama havia chegado enfim para os membros do grupo. E foi com “2112” que os canadenses do Rush ganharam o mundo e escreveram seus nomes na história do Rock And Roll para sempre.

 

 

Faixas Comentadas

 

  • 2112” – A música que abre e dá nome ao disco é um épico futurista de mais de 20 minutos, divida em sete partes: I) “Overtune”, II) “Temples pf The Syrinx”, III) “Discovery”; IV) “Presentation” V) “Oracle: The Dream”, VI) “Soliloquy” e VII) “The Grande Finale”. Neil Peart se inspirou no livro “Anthem”, um romance futurista da escritora Russa, Ayn Rand. A letra fala de um homem que lidera uma revolução através da música e enfrenta os Sacerdotes do Templo de Syrinx, que governavam o mundo naquele ano de 2112. Alguns críticos dizem que a música refletia a frustação do grupo em relação à indústria da música. O curioso no caso desta música é que a gravadora só aceitou o álbum porque as outras cinco músicas que compõem o disco, e não tem nada a ver com a história narrada em “2112”, teriam, segundo eles, potencial comercial. Porém, foi justamente “2112” o maior sucesso comercial do disco. Não extamente a música inteira, mas um single de 6 minutos e 45 segundos contendo as partes de “Overtune” e “Temple of The Syrinx”. Quem quiser saber mais sobre essa música, acesse: http://whiplash.net/materias/curiosidades/112017-rush.html;
  • A Passage To Bangkok” – Essa música que abre o Lado 2 do álbum, posse ser descrita como um passeio turístico em rotas do tráfico de maconha como Colombia, México, Jamaica, Marrocos, Tailândia, etc. Onde o turista pode sentir seus odores e respirar suas “doces fragrâncias”;
  • The Twilight Zone” – Essa canção foi inspirada em dois episódios de uma série de TV americana com o mesmo nome (no Brasil veio com o nome de Além da imaginação), que fez muito sucesso nos Anos 70;
  • Lessons” – Essa música para mim fala sobre as lições que a vida nos ensina, de doces lembranças e de às vezes estarmos muito perto de perder o rumo de nossas vidas;
  • Tears” – Uma linda canção com um arranjo suave e por vezes muito triste;
  • Something For Nothing” – Para mim esta é uma das músicas mais bacanas do Rush. Um rock que começa calmo e de repente se transforma num poderoso rock and roll, com uma pegada incrível. A letra – bastante otimista – fala que as coisas importantes estão dentro da própria pessoa. O verso final diz: “na sua cabeça está a resposta / deixa ela te guiar adiante / deixe seu coração ser a âncora / e o batimento sua própria canção”.

 

Vitor R. E. Aleixo, publicitário, 47 anos, ex-produtor do programa “Arquivo Pop”, da Rádio Cultura FM de Amparo, 102,9MHz; atualmente, produz o programa “Wooly Bully”, na Rádio Rock Clube, no site: www.radiorockclube.net.