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Como aproveitar ao máximo suas aulas de música!

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Quer ser um músico de alto nível? Antes de qualquer coisa, entenda:

1 – Técnica ninguém têm, adquire.

2 – Vocabulário ninguém têm, adquire.

3 – Experiência ninguém têm, adquire.

4 – Criatividade uns têm com mais espontaneidade outros com menos, porém todos precisam desenvolvê-la!

Junte os 4 itens e sua conclusão será: É um aprendizado. Sempre. Ninguém nasce pronto! No Brasil, temos a infeliz ideia disseminada de que música é ”dom” e quem toca bem simplesmente toca bem. Errado! Isso não existe! Música se estuda sim, música se aprende! É uma linguagem, uma atividade altamente técnica! Essa valorização do “cara que toca de ouvido, nunca foi na escola!” que temos por aqui, acaba sendo uma das mais nefastas diferenças entre nós e nossos colegas de outras partes do mundo, onde ninguém tem vergonha de dizer que estudou e que aprendeu o que sabe. Aqui é muitas vezes o contrário, a pessoa estuda e tem vergonha de dizer que toca bem, mas que estudou, como se isso fosse demérito! Imagina um engenheiro fazendo isso? Um médico? Um advogado tendo vergonha de dizer que estou “pra caramba”? Pois é, por que com os músicos deve ser diferente? Não é! Isso é um problema brasileiro e eu nem tenho ideia de onde veio ou como começou. Não caia nessa cilada. Vamos acabar com essa imbecilidade.

5 - Não tenha vergonha de dizer que não sabe! Todo mundo não soube um dia. Quem pergunta é ignorante uma vez, quem não pergunta fica ignorante pra sempre.

Especialmente na sua AULA. Seu professor está ali exatamente pra isso. Não perca tempo tentando impressionar seus professores mostrando o que você sabe. Deixe isso para os palcos. Na aula o foco é o que você não sabe ou sabe, mas não domina. Quer impressionar seu professor? Chegue detonando na próxima aula o que ele te passou pra estudar durante a semana! Você vai deixar o cara feliz, impressionado e vai ter levado o que está pagando, ou seja, novos conhecimentos e/ou aprimoramento.

6 – Saber e não dominar é quase a mesma coisa que não saber. O que conta é o que você domina.

7 – A explicação gera conhecimento (agora você sabe) e o treino subsequente leva ao domínio!

8 – Domínio vem de treino e treino é trabalho sério, longo, duro e cansativo. Quanto mais transpiração melhor. Lembre-se do lema das academias: No pain no gain (Sem dor sem ganho). Técnica de alto nível no instrumento segue o mesmo princípio. Sem choro nem atalho.

Quem realmente possui técnica de alto nível e diz que praticou/ estudou pouco está mentindo. Simples assim. Marketing pessoal vagabundo. Quis te impressionar e você, inocente, disse: “Uau! Imagina se tivesse treinado! O cara é muito talentoso mesmo!”.

Não seja bobo. Ok?

9 – Respeite seus limites no sentido de conhecer sua rotina, seus compromissos e se adequar a eles. Cada um avança numa velocidade, cada um têm seu timming. O importante é avançar sempre, não necessariamente avançar rápido. Estabeleça metas realistas e seu professor é a melhor pessoa pra te ajudar nessa tarefa. A meta é sempre empurrar os limites para mais longe. Música é uma escalada que dura a vida toda, ao final você descobre o quão alto chegou.

10 – Respeite e confie no seu professor, e principalmente, não seja preguiçoso e teimoso. Se ele disser “Toque dessa forma” não diga em resposta: “Mas não pode ser assim?…”. Se pudesse ele não teria dito nada. Simples, não?

Grande abraço e bom treino, bons estudos!

Nando Moraes

Varie seu repertório e surpreenda-se!

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Todo músico tem um ponto forte referente a determinado aspecto, digamos técnico, da música. Alguns são ótimos com a parte rítmica, outros podem ter um enorme facilidade em criar harmonias enquanto outros se saem melhor ao elaborar melodias. Outros podem ter maior facilidade motora (técnica) enquanto outros precisam de mais esforço pra executar passagens mais complexas. E por ai segue.

Se considerarmos que cada gênero musical tem um aspecto predominante que o caracteriza (podemos chamar de clichê) logo cada músico encontrará mais facilidade para tocar composições do gênero em que predomina o aspecto no qual ele possui maior facilidade. Exemplo: alguém que descobre possuir facilidade com os raciocínios e habilidades envolvidas em improvisação, vai se sair bem com estilos que fazem muito uso desta técnica tais como blues, jazz/ fusion, etc. Outro exemplo seria um musico com forte em situações rítmicas, este teria facilidade em trabalhar com músicas com ênfase nos grooves como Black music norte americana ou música latina ou africana.

Além disso, todo músico é também um ouvinte de música, e como tal, possui seu estilo preferido. Isso certamente traz alguma influência para suas habilidades, ou seja, se você ouve muito samba, por exemplo, provavelmente vai ter facilidade para tocar esse estilo, uma vez que já conhece bem como deve soar um samba.

Mas não necessariamente será assim! Continuando com o exemplo do samba, apesar de sua paixão pelo ritmo e de saber muito bem como este deve soar, pode ser que você sinta alguma dificuldade com algum aspecto desse estilo, seja com a harmonia ou justamente com o balanço (swing) que é justamente um aspecto muito marcante deste gênero.

Ouvir é uma coisa, tocar é outra…

Portanto, segundo o que expliquei acima, você pode vir a descobrir que o estilo que você mais tem facilidade pra tocar não é necessariamente o estilo que você mais gosta de ouvir ou vice versa!

Claro que se você optar por ser músico profissional, os anos de estudo e prática resolverão a maioria dos problemas e seu samba vai começar a sair do jeito que deve, porém o ponto do qual quero tratar aqui é justamente esse: Cada música (gênero) contribui com algo em nossa formação e vocabulário musical por ser mais exigente em determinado aspecto ou mesmo em determinadas técnicas do instrumento!

Assim se você acha que por que já detonou tudo no seu estilo preferido já terminou o trabalho, experimente tocar algo de um gênero completamente diferente e veja o resultado. Você pode vir a se surpreender com o quanto vai “apanhar” para conseguir tocá-lo decentemente. Logo você que se achava o máximo…

Assim disse o músico e professor Mozart Mello em entrevista para a revista Cover Guitarra, em 2003 (usando como referencia a guitarra, instrumento com o qual ele trabalha): “(…) Aqueles chorus maravilhosos em Giant Steps não o credenciam a tocar o estudo nº 1 de Villa Lobos com palheta; Aquelas escalas tocadas em two-hands não o credenciam a tocar um simples blues (…). Está mais do que na hora dos músicos entenderem isso e se respeitarem mais.”

Falou e disse! Os estilos se somam! Cada qual contribuindo com algo diferente. Assim chego bem onde eu quero com este texto: Uma ótima maneira de estar sempre evoluindo em seu instrumento é simplesmente variar o repertorio! Esqueça seus preconceitos sobre fácil ou difícil, barulhento ou monótono, antigo ou de vanguarda, etc. brasileiro ou não, etc. Tudo isso só serve para nos mantermos em nossa zona de conforto e consequentemente estagnados.

Além do mais tem algo curioso que você pode vir a descobrir: Que adora tocar certas músicas que não te chamam tanto a atenção ao ouvir. Cito como exemplo eu mesmo, que adoro tocar Bossa Nova, estilo que dificilmente coloco em meu player quando quero simplesmente ouvir música. Dificilmente ouço e não me considero fã do estilo, porém quando rola algum trabalho com este tipo de música simplesmente adoro! Não costumo ouvir, mas adoro tocar.

Na época que descobri o quanto eu gostava de tocar aquela levada e aquelas harmonias eu estava no auge da “pancadaria” com meu gosto musical, ouvindo heavy, thrash e até death metal! Não foi por ouvir o que eu ouvia que deixei de curtir tocar esse “novo” estilo, tampouco por descobrir este novo som com suas maravilhosas possibilidades deixei de continuar ouvindo (e tocando!) o que eu já tocava. Deve ser sempre uma soma!

Ai vem outro ponto. Existe uma verdadeira legião de músicos que simplesmente não descobrem isso, perdendo oportunidades que nem fazem ideia de passar ótimos momentos ou mesmo ampliar suas oportunidades de trabalho pelo simples fato de se fecharem em seu desenvolvimento num único estilo: o de sua preferência. Seja por preconceito descabido ou preguiça mesmo (a tal zona de conforto)!

Naturalmente, se você atua como artista que compõe e grava suas próprias músicas você obviamente têm um determinado estilo, e isso não precisa (e creio que nem deve) mudar. Mas a dica vai pra você também! Não se espante, adquirir novo vocabulário ouvindo, estudando e tocando outras coisas vai apenas enriquecer seu trabalho e pode vir a ser um diferencial muito bem vindo, um som mais personalizado, mesmo sem deixar de estar tocando o estilo que sempre tocou. Ou seja, vale o bom senso, não estou dizendo pra você montar um repertório pra tocar ao vivo contendo Iron Maiden, Tião Carreiro, Tom Jobim, Miles Davis e Mozart tudo na sequencia. Óbvio que não! Você pode ser eclético, não seu show, ou sua banda. Isso seria falta de foco, de direcionamento e outros problemas mais.  Se seu show é de rock, que seja rock, o que digo é que na hora de COMPOR o SEU rock, você terá muita coisa à sua disposição na SUA bagagem cultural e técnica e a soma disso tudo transformada em rock poderá ser algo novo, realmente seu. E assim com os demais estilos, naturalmente.

Então fica a mensagem: Varie seu repertório e surpreenda-se com os resultados! Você descobrirá novas técnicas, ritmos, harmonias, timbres, formas, dinâmicas, linguagens e culturas além de ampliar seu gosto e abrir novas portas para trabalho. Você descobrirá o seu melhor e ainda terá a oportunidade de derrubar barreiras!

Pra mim sempre funcionou! O que acha?

Nando Moraes